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Ao olhar para esta fotografia, apenas identifico duas pessoas: o Dr. Rosa Bruno, já falecido, e o meu pai (Mário Braga), felizmente ainda vivo, embora padecendo de algumas mazelas, próprias de quem vai fazer 90 anos.
Perante a imagem destas duas pessoas, curiosamente, apercebi-me de que achava uma delas bastante marcada pela implacável passagem do tempo, o Dr. Rosa Bruno, e a outra muito nova, neste caso, o meu pai.
É que o primeiro nunca mais o vira desde os meus 14 ou 15 anos (hoje tenho 59), altura em que ele ainda era um homem cheio de energia, de olhar vivo e discurso solto. Durante um curto período da sua vida viveu perto de nós, nos arredores de Coimbra e nessa altura convivemos bastante, pois ele e a família eram visitas assíduas lá de casa.
Quanto ao meu pai tenho-o, naturalmente, acompanhado e vou-me apercebendo com tristeza, dos “estragos” que as marcas dos anos vão deixando.
Aqui, nestas fotografias, em 1988, com a sua cabeleira farta e patilhas a condizer, de acordo com os ditames da moda - e que tão mal lhe ficavam -, ainda era uma pessoa muito dinâmica, com uma crónica semanal no Diário Popular, uma saúde de ferro e uma vida profissional e social que lhe ocupava os dias e, por vezes, também as noites.
Ontem, passei a tarde com ele, tentando fazer-lhe a companhia que julgamos ser salutar, mas para a qual ele nem sempre está disponível. Levei as fotografias, guardadas no meu portátil, aumentei-as até ao limite, antes daquela fase em que ficam completamente desfocadas, mas não foi capaz de vê-las – os olhos já não lhe permitem -, fez vários esforços, até que desistiu.
No entanto, felizmente a memória mais longínqua não se apagou, pelo menos essa, fá-lo viajar no tempo e trazer à tona as recordações de um outro tempo e de um outro espaço. Lembra-se bem desse encontro com antigos colegas e alunos e referiu-me até alguns pormenores. Penso que, de qualquer modo, foi bom ter levado as fotografias comigo, esse gesto serviu de mote para uma conversa e deixei-o a pensar em tempos idos, quando os seus olhos e a sua cabeça adornada com uma cabeleira ainda aloirada, guardava no interior um cérebro bem oleado.
Um beijo para ti, pai. E para si, Dr. Rosa Bruno, onde quer que esteja, um beijo, também, daquela adolescente que gostava de o ouvir falar dos mistérios da Química, enquanto observava o seu olhar vivo e penetrante.
Ani Braga
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suzel disse...
Bela homenagem que se pode fazer a um pai... Quem me dera ter o meu... Mesmo com os estragos do tempo!
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Maria do Rosário disse...
Li e reli o comentário da Ani ...!Quantas tardes passadas em circunstâncias tão idênticas.
Retribui-se o Amor que se recebeu!
Maria do Rosário Pimentel
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Guida Sousa disse...
Magnífica e comovente homenagem a um Pai que,possa ou não lê-la ficará certamente orgulhoso e emocionado.
Vale sempre a pena voltar a este blogue!
Abraços.
.Júlia disse...
É um texto ternurento, que me comoveu.
Ao lê-lo, lembrei-me muito do meu pai, quando ainda queria, mas já não podia...
Na foto, reconheço a querida D. Anita, que de quem fui contemporânea nos dois anos de trabalho no ERO, de boa memória.
Júlia Ferreira
C O M E N T Á R I O S
.suzel disse...
Bela homenagem que se pode fazer a um pai... Quem me dera ter o meu... Mesmo com os estragos do tempo!
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Maria do Rosário disse...
Li e reli o comentário da Ani ...!Quantas tardes passadas em circunstâncias tão idênticas.
Retribui-se o Amor que se recebeu!
Maria do Rosário Pimentel
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Guida Sousa disse...
Magnífica e comovente homenagem a um Pai que,possa ou não lê-la ficará certamente orgulhoso e emocionado.
Vale sempre a pena voltar a este blogue!
Abraços.
.Júlia disse...
É um texto ternurento, que me comoveu.
Ao lê-lo, lembrei-me muito do meu pai, quando ainda queria, mas já não podia...
Na foto, reconheço a querida D. Anita, que de quem fui contemporânea nos dois anos de trabalho no ERO, de boa memória.
Júlia Ferreira
4 comentários:
Bela homenagem que se pode fazer a um pai... Quem me dera ter o meu... Mesmo com os estragos do tempo!
Li e reli o comemtário da Ani ...!Quantas tardes passadas em circunstâncias tão idênticas.
Retribui-se o Amor que se recebeu!
Maria do Rosário Pimentel
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Magnífica e comovente homenagem a um Pai que,possa ou não lê-la ficará certamente orgulhoso e emocionado.
Vale sempre a pena voltar a este blogue!
Abraços.
É um texto ternurento, que me comoveu.
Ao lê-lo, lembrei-me muito do meu pai, quando ainda queria, mas já não podia...
Na foto, reconheço a querida D. Anita, que de quem fui contemporânea nos dois anos de trabalho no ERO, de boa memória.
Júlia Ferreira
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