ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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À JANELA DO ARTUR

(Este texto foi o comentário que o Artur R. Gonçalves deixou em "À JANELA DA RAINHA" )
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A janela da minha casa de infância e juventude dava para a rua Capitão Filipe de Sousa. Para os frequentadores do ERO, este topónimo deve dizer alguma coisa. Se olhasse em frente, via um posto de gasolina que provavelmente até já terá sido desativado nos dias de hoje. O serviço era permanente e cada litro de combustível vendido era acompanhado de um tilintar de campainha muito particular. Era como se estivesse no campo a ouvir os trinados da passarada. A imaginação é muito fértil nestas efabulações. Se olhasse para o lado esquerdo, nessa tal janela da meninice, via a garagem caldas, logo ao lado do tal externato particular que todos nesta página conhecerão o nome. A visão alcançava uma dimensão mais abrangente quando subia até ao sótão e observava o chafariz d’el rei. É verdade que o original fora demolido no ano do meu nascimento e substituído por um outro de menor dimensão que teimou em manter o nome do anterior. Recordo-me da relativa imponência do legítimo fontanário régio através da fotografia mais antiga que me terão feito, precisamente à sua sombra. O dia do meu batizado terá sido um dos últimos do jorrador de água mandado construir pelo magnânimo, não sei se às suas expensas se das dos vilões locais. Desconfio, todavia, qual será a resposta. Dias depois, um dos irmãos do chafariz das cinco bicas, era riscado definitivamente da face da terra.
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Nunca fui muito frequentador de janelas. Preferi sempre as portas que me ligavam de um modo bem mais imediato com o mundo. Eu e os meninos da minha rua brincávamos no largo empedrado da Sangreman Henriques à volta do tal fonte com aspirações aristocratas de uma monarquia pretérita. As memórias desses tempos persistem em ficar gravadas no meu arquivo biológico povoado de células que os entendidos dizem ser cinzentas, a cor mais extraordinária que os olhos humanos podem registar, porque associam o branco que é tudo (vida) ao negro que é nada (morte).
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Recordo muitos episódios dessas manhãs e tardes despreocupadas dos verdes anos. Dispenso-me de os revelar aqui neste momento. Vou aproveitar-me da evocação da Isabel para revelar que há uns 50 anos atrás também tive a ocasião de morar durante pouco mais de um mês numa das tais casas fronteiras às costas da rainha. Visão altaneira que se podia observar da janela de um terceiro andar de um apartamento construído na parte mais alta da cidade. A dois passos da antiga praça do peixe. Na altura, não me senti minimamente desconsiderado por não ver o rosto da rainha. Sentias-me era um felizardo por observar toda aquela paisagem urbana que não podia observar da janela do meu sótão. Senti-me verdadeiramente importante. Depois a minha avó melhorou, a minha mãe regressou a casa e eu fui devolvido à procedência pelos amigos da família que me haviam acolhido.
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Voltei a ver a garagem caldas à minha frente e o prédio do colégio e o largo do chafariz de um rei que na altura nem sabia o nome.A minha aversão pela estátua da rainha das caldas é posterior. Sobre o assunto já teci alguns comentários no fb. Fi-lo numa fotografia em que fui marcado (gosto cada vez mais desta terminologia virtual) pelos «Antigos Alunos Ero» e que depois o JJ teve a amabilidade de transcrever neste espaço alguns parágrafos abaixo. A inexistência de uma única referência À JANELA DA RAINHA e à autora que só conheço destas paragens, levaram-me a compor uma nota explicativa na rede social e a compor o texto que agora vos deixo.
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Se a postagem da Isabel Xavier tivesse sido feita no tal «livro das caras», teria carregado com muito gosto na tal palavra mágica GOSTO e o dedinho voltado para cima lá ficaria a documentar esse meu gosto.
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Artur Gonçalves
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C O M E N T Á R I O S
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Mélita disse:
Felicito os três autores de tão maravilhosos posts.
O João Jales com uma escrita tão bem urdida que se lê de um fôlego, mais parecendo que estamos assistindo a uma curta, durante a qual vai desfilando quase meia-Caldas da época. De rua em rua, de prédio em prédio, andar a andar conseguimos quase vislumbrar os seus rostos à janela. Que fabulosa memória, JJ, nem faltou a Eunice Muñoz...
A Isabel e a sua janela, de cuja escrita se desprende uma certa magia que, de tão bem escrita, nos faz até sentir a aura de ternura que envolvia o romance/namoro da sua "rainha". Princesa à época, pois que, cá em baixo, de pescoço esticado, se encontrava o príncipe encantado... Outros tempos outras vontades...
Do Artur a sua bela evocação do chafariz e do prédio da frente que, por acaso, era onde funcionava o ERO... O célebre edifício da Crespo onde ainda fui aluna por um ano.Lembrar-se-á provavelmente da histórica passagem da Rainha Isabel II e seu séquito por tal rua, aquando duma sua visita a Portugal e de nós, miúdos, entusiasmados e excitados com tal visão real, a dar-lhe as boas vindas, gritando "God Save The Queen"... O ano de tal ocorrência não recordo mas o JJ vai de certeza ajudar-me...(ver NOTA)
Estão pois de parabéns estes autores e igualmente todos aqueles que nos têm vindo a brindar com seus fascinantes textos e estórias.
Amélia Teotónio
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NOTA: Isabel II visitou Portugal entre os dias 18 e 23 de Fevereiro de 1957, sendo recebida com grandes manifestações populares. O Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa possui algumas imagens associadas à visita de Estado da Rainha Isabel II de Inglaterra AQUI. JJ
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diz o que te vai na alma disse...
É sempre um prazer "viajar" por estas memórias descritas com mais ou menos emoção. Assim foi esta "espreitadela" à janela do Artur.
As janelas têm qualquer coisa de romântico, e achei imensa graça por o Artur as preterir relativamente ás portas! Sempre gostei de janelas, porque de lá a minha visão alcança até o infinito, mas esta preferência do Artur pelas portas, trouxe-me à lembrança uma frase que minha mãe me dizia assiduamente e que não resisto a transcrever:"Um dia fecho-te a porta. Só sais quando eu deixar! Tens medo que te caia o tecto na cabeça?"
Passados estes anos e depois desta leitura, tenho de concluir que apesar da magia das janelas, afinal prefiro a liberdade das portas.
Obrigado por partilharem recordações da vida.
Dalila Garcia
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Tina disse...
Vim debruçar-me à janela do Artur e, imperiosamente, tive de ir em seguida à da Isabel. Foi com prazer que li a estória linda do namoro dos seus pais e com um sorriso divertido que me inteirei da "má-criação" da Rainha, sempre de costas voltadas para a casa da Isabel e dos pais, lembrando-me que da mesma forma a gente fala da má-criação do Marquês de Pombal quando o saudamos e ele necas...
Da Janela do Artur, que preferia ir logo à descoberta do mundo à sua espera nas ruas, tive uma maior noção da localização dos lugares que dizem tanto ao coração dos que pertencem de direito a este blogue. Estive pela primeira vez nas Caldas há tantos anos que lhes perdi o número, mas tive a sorte de regressar à cidade para um jantar com ex-alunos do ERO e mais uns rusgas como eu. Como conheci o Artur no "livro das caras", como ele batiza (novo acordo ortográfico!) o FB, aproveito a sua boleia e clico virtualmente no "Gosto" para lhe agradecer as referências ao chafariz d’el rei, que vi a correr. E acrescento que é de certeza às suas células cinzentas (massa incluída) que ficámos a dever a capacidade extraordinária de interiorizar o que analisa neste mundo e nos transmite com um dom que ainda bem foi bem aproveitado para leccionar na área linguística.
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Gostei muito da maneira singela como o Artur descreve a sua juventude! Aliás, penso que embora não conheça o Artur pessoalmente, admiro a sua maneira de partilhar connosco as coisas belas que fotografa e pelos vistos escreve!
Na minha maneira simples de ver as coisas escrever é outra maneira de fotografar com a imaginação, bem haja!
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Isabel Esse disse...
Não conheci o Colégio neste local nem sabia que naquele local esteve um chafariz.Creio que hoje lá está um pequeno bebedouro,não é?
"A imaginação é muito fértil nestas efabulações" mas o autor parece preferir o rigor descritivo das suar recordações e nega-nos "os muitos episódios dessas manhãs e tardes despreocupadas dos verdes anos"...Talvez outro dia?Fico à espera,porque gostei muito.IS
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jorge disse...
julgo que o "livro das caras" seja o facebook onde ainda não navego.tenho que ganhar coragem e arranjar tempo e conhecer lá o artur que julgo não conhecer de outros carnavais.escrita magnífica de alguém que está certamente muito habituado a fazê-lo.abraço.j
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J L Reboleira Alexandre disse...
Sobre o Artur é o Jorge quem o diz e eu confirmo: «escrita de alguém que está habituado a fazê-lo». Todos nós escrevemos, mas como me repete constantemente uma velha colega do difícil mundo das viagens: a gente pode sempre juntar uns floreados. Só que algumas flores têm um aroma mais agradável que outras. Basta lermos os diferentes posts para sentirmos desde as primeiras linhas quem os escreve. O Artur faz parte do pequeno núcleo de colaboradores do blog que se distinguem pela fluidez e simplicidade das suas palavras. Em linguagem futebolistica, trata-se afinal da diferença entre Mourinho e o treinador de bancada.
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João Ramos Franco disse...
Há uma coisa que era comum ao Artur e a mim, é o gostar de estar à janela, ele gostava mais de sair porta fora e ir brincar com os amigos e eu também.
Toda a zona da cidade que nos descreve é, para mim, estudante no prédio do Crespo, completamente familiar e penso que está gravada na memória de todos os que frequentaram o ERO neste edifício.
Quanto “À JANELA DO ARTUR”, e à vida que ele dá ao texto transparece em tudo o poder descritivo, que quem o lê no Facebook já está habituado a contactar com o seu bem escrever e em poucas palavras.
Um abraço amigo
João Ramos Franco
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Cristina Ramos Horta disse:
Mais recordações de uma vivência que se torna cada mais real para mim. O Artur, com uma escrita limpida e perfeita traça-nos um pedaço de tempo vivido em Caldas.
Li duas vezes, sobretudo pelo pormenor da mudança do chafariz: pequenas realidades com mais impacto num testemunho do que em qualquer compêndio. E, de facto esse é o principal valor do testemunho. Os lugares ficam mais vivos, os prédios mais coloridos, as ruas mais definidas, porque descritos com o calor dos afectos.
Gostei muito de À Janela do Artur e fico á espera de espreitar por mais janelas.
Obrigada Artur.
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Isabel X disse...
É interessante notar o que os outros sentem após o que nós sentimos e dizemos. Várias reacções neste blogue me têm interpelado de modo diverso.
Pessoas que não conheço, mas que passei a conhecer, que reagiram ao que escrevi sobre a janela que de minha casa dava para a rainha. Nunca pensei nisso como um privilégio, apenas como uma condição. O que é maravilhoso é ver como o que escrevi, quase por brincadeira, teve tantas e tão belas reacções.
Desde logo a minha querida nórinha, a quem amo de paixão, Patrícia Baptista, assim mesmo, à moda antiga, adquirindo o nome do marido, meu querido filho Francisco.
Depois os meus amigos que nunca tinham vindo a este blogue e que provavelmente não voltarão: Nuno Valadas; Pedro Sinde; Pedro Martins; Ana Saudade e Silva; incondicionais... sempre... como sempre é a amizade verdadeira.
Ainda os "priminhos" mais novos, a Ana Azevedo Coelho e o Paulo Caiado, de cujos depoimentos tanto gostei, tão genuínos, tão sinceros...
O João (Serra) explicando aquilo que eu não vira no que fiz. Aquele amigo especial de quem sempre se esperam as palavras mais sábias, aquelas de onde nunca nos virá mal, só bem, porque só bem lhes é possível...
O Dr. Serafim, muito lá de casa... que me comoveu como mais ninguém. Testemunha da pessoa afortunada que sou por ser filha dos meus pais, neta dos meus avós e irmã dos meus irmãos (cinco e não quatro: falta o Tozé, mano mais novo, Benjamim, muito querido).
A Dra. Júlia, que tão bem me compreendeu, que fez ironia com a expressão "esgrouviada", forma que eu achei de a distinguir, com enorme ternura, do cinzentismo imperante no ERO de quando lá foi professora.
Os habituais, e por isso mesmo fundamentais, comentaristas do ERO, Dalila, Paulinha Pardal, Guida Sousa, Júlinha Ribeiro, etc., etc., que me "mimaram" com as suas palavras de incentivo, que tanto agradeço.
O João Ramos Franco, que considero uma das "oportunidades perdidas" por não o ter visto passar na Rainha, a quem tanto estimo.
E todos os outros, todos os outros que distinguiram com as suas palavras amigas, meigas, aquilo que escrevi como uma homenagem aos meus pais e à minha cidade.
O Joaquim, que sabe melhor do que eu quem vivia no Largo (só se enganou no nome da rua do meio: não é "Almirante Reis" mas "General Queirós". Almirante Reis é a Rua das Montras).
O JJ, a quem presto a minha humilde homenagem, tanto mais que julgo ser a primeira vez que não se sentiu na obrigação de comentar o post, o que muito me honra (!!!). Quanto ao resto - que é muito podem crer - foi incansável.
O Artur, que se lembra do Ramalho Ortigão do prédio dos Crespos (eu não) e que tão bem escreve sobre isso.
O Alfredo, cujo testemunho repôs aqui a "Mocidade Portuguesa" a que nunca pertenci e de que já não me lembro nas Festas do 15 de Maio.
O Luís Machado com saudades do "Much": eu também. Outra faceta muito peculiar da casa onde cresci.
A Cristina Horta com as suas pertinentes explicações sobre o monumento à rainha e a sua calorosa "adesão" ao ERO.
A todos, todos, agradeço.
- Isabel Xavier -
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Vanda disse:
Agradeço desde já a partilha através do Facebook do link que me trouxe "à janela do Artur"! Foi com enorme prazer que me debrucei à janela e por ela contemplei todas as paisagens descritas.
Confesso que nas Caldas só estive uma vez quando era adolescente e poucas recordações me foram possíveis trazer...No entanto deliciei-me aqui,solvendo a água de um chafariz que desconhecia e agora me parece tão próximo...Obrigada pela realeza das palavras simples,Artur! E obrigada,JJ, pela estrada que me fez entrar num lar com janelas tão escancaradas de vida.
Vanda Gomes
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11 comentários:

Isabel Esse disse...

Não conheci o Colégio neste local nem sabia que naquele local esteve um chafariz.Creio que hoje lá está um pequeno bebedouro,não é?
"A imaginação é muito fértil nestas efabulações" mas o autor parece preferir o rigor descritivo das suar recordações e nega-nos "os muitos episódios dessas manhãs e tardes despreocupadas dos verdes anos"...Talvez outro dia?Fico à espera,porque gostei muito.IS

jorge disse...

julgo que o "livro das caras" seja o facebook onde ainda não navego.tenho que ganhar coragem e arranjar tempo e conhecer lá o artur que julgo não conhecer de outros carnavais.escrita magnífica de alguém que está certamente muito habituado a fazê-lo.abraço.j

João Ramos Franco disse...

Há uma coisa que era comum ao Artur e a mim, é o gostar de estar à janela, ele gostava mais de sair porta fora e ir brincar com os amigos e eu também.
Toda a zona da cidade, que nos conta, para mim, estudante no prédio do Crespo é me completamente familiar e está gravada penso, que na memória de todos os que frequentaram o ERO, neste edifício.
Quanto “À JANELA DO ARTUR”, e à vida que ele dá ao texto transparece em tudo o poder descritivo, que quem o lê no Facebook, já está habituado a contactar com o seu bem escrever e em poucas palavras.
Um abraço amigo
João Ramos Franco

Tina disse...

Vim debruçar-me à janela do Artur e, imperiosamente, tive de ir em seguida à da Isabel. Foi com prazer que li a estória linda do namoro dos seus pais e com um sorriso divertido que me inteirei da "má-criação" da Rainha, sempre de costas voltadas para a casa da Isabel e dos pais, lembrando-me que da mesma forma a gente fala da má-criação do Marquês de Pombal quando o saudamos e ele necas...

Da Janela do Artur, que preferia ir logo à descoberta do mundo à sua espera nas ruas, tive uma maior noção da localização dos lugares que dizem tanto ao coração dos que pertencem de direito a este blogue. Estive pela primeira vez nas Caldas há tantos anos que lhes perdi o número, mas tive a sorte de regressar à cidade para um jantar com ex-alunos do ERO e mais uns rusgas como eu. Como conheci o Artur no "livro das caras", como ele batiza (novo acordo ortográfico!) o FB, aproveito a sua boleia e clico virtualmente no "Gosto" para lhe agradecer as referências ao chafariz d’el rei, que vi a correr. E acrescento que é de certeza às suas células cinzentas (massa incluída) que ficámos a dever a capacidade extraordinária de interiorizar o que analisa neste mundo e nos transmite com um dom que ainda bem foi bem aproveitado para leccionar na área linguística.

Anónimo disse...

Suzel Almeida no Facebook:

Gostei muito da maneira singela como o Artur descreve a sua juventude! Aliás, penso que embora não conheça o Artur pessoalmente, admiro a sua maneira de partilhar connosco as coisas belas que fotografa e pelos vistos escreve! Na minha maneira simples de ver as coisas escrever é outra maneira de fotografar com a imaginação bem haja!

Anónimo disse...

Cristina Ramos Horta no Facebook:

Mais recordações de uma vivência que se torna cada mais real para mim. O Artur, com uma escrita limpida e perfeita traça-nos um pedaço de tempo vivido em Caldas.
Li duas vezes, sobretudo pelo pormenor da mudança do chafariz: pequenas realidades com mais impacto num testemunho do que em qualquer compêndio. E, de facto esse é o principal valor do testemunho. Os lugares ficam mais vivos, os prédios mais coloridos, as ruas mais definidas, porque descritos com o calor dos afectos.
Gostei muito de Á Janela do Artur e fico á espera de espreitar por mais janelas.
Obrigada Artur.

Isabel X disse...

É interessante notar o que os outros sentem após o que nós sentimos e dizemos. Várias reacções neste blogue me têm interpelado de modo diverso.

Pessoas que não conheço, mas que passei a conhecer, que reagiram ao que escrevi sobre a janela que de minha casa dava para a rainha. Nunca pensei nisso como um privilégio, apenas como uma condição. O que é marvilhoso é ver como o que escrevi, quase por brincadeira, teve tantas e tão belas reacções.

Desde logo a minha querida nórinha, a quem amo de paixão, Patrícia Baptista, assim mesmo, à moda antiga, adquirindo o nome do marido, meu querido filho Francisco.
Depois os meus amigos que nunca tinham vindo a este blogue e que provavelmente não voltarão: Nuno Valadas; Pedro Sinde; Pedro Martins; Ana Saudade e Silva; incondicionais... sempre... como é a sempre a amizade verdadeira.
Ainda os "priminhos" mais novos, a Ana Azevedo Coelho e o Paulo Caiado, de cujos depoimentos tanto gostei, tão genuínos, tão sinceros...

O João (Serra) explicando aquilo que eu não vira no que fiz. Aquele amigo especial de quem sempre se esperam as palavras mais sábias, aquelas de onde nunca nos virá mal, só bem, porque só bem lhes é possível...

O Dr. Serafim, muito lá de casa... que me comoveu como mais ninguém. Testemunha da pessoa afortunada que sou por ser filha dos meus pais, neta dos meus avós e irmã dos meus irmãos (cinco e não quatro: falta o Tozé, mano mais novo, querubim, muito querido).

A Dra. Júlia, que tão bem me compreendeu, que fez ironia com a expressão "esgrouviada", forma que eu achei de a distinguir, com enorme ternura, do cinzentismo imperante no ERO de quando lá foi professora.

Os habituais, e por isso mesmo fundamentais, comentaristas do ERO, Dalila, Paulinha Pardal, Guida Sousa, Júlinha Ribeiro, etc., etc., que me "mimaram" com as suas palavras de incentivo, que tanto agradeço.

Ao João Ramos Franco, a quem considero uma das "oportunidades perdidas" por não o ter visto passar na Rainha, a quem tanto estimo.

E todos os outros, todos os outros que distinguiram com as suas palavras amigas, meigas, aquilo que escrevi como uma homenagem aos meus pais e à minha cidade.

O Joaquim, que sabe melhor do que eu quem vivia no Largo (só se enganou no nome da rua do meio: não é "Almirante Reis" mas "General Queirós". Almirante Reis é a Rua das Montras.

O JJ, a quem presto a minha humilde homenagem, tanto mais que julgo ser a primeira vez que não se sentiu na obrigação de comentar o post, o que muito me honra, porque quanto ao resto foi incansável.

O Artur, que se lembra do Ramalho Ortigão do prédio dos Crespos, eu não, e que tão bem escreve sobre isso.

O Alfredo, cujo testemunho repôs aqui a "Mocidade Portuguesa" a que nunca pertenci e de que não me lembro.

A todos, todos, agradeço.

- Isabel Xavier -

J L Reboleira Alexandre disse...

Sobre o Artur é o Jorge quem o diz e eu confirmo: «escrita de alguém que está habituado a fazê-lo».

Todos nós escrevemos, mas como me repete constantemente uma velha colega do difícil mundo das viagens: a gente pode sempre juntar uns floreados.

Só que algumas flores têm um aroma mais agradável que outras. Basta lermos os diferentes posts para sentirmos desde as primeiras linhas quem os escvreve. O Artur faz parte do pequeno núcleo de colaboradores do blog que se distinguem pela fluidez e simplicidade das suas palavras. Em linguagem futebolistica, trata-se afinal da diferença entre Mourinho e o treinador de bancada.

diz o que te vai na alma disse...

É sempre um prazer "viajar" por estas memórias descritas com mais ou menos emoção. Assim foi esta "espreitadela" à janela do Artur.
As janelas têm qualquer coisa de romântico, e achei imensa graça por o Artur as preterir relativamente ás portas! Sempre gostei de janelas, porque de lá a minha visão alcança até o infinito, mas esta preferência do Artur pelas portas, trouxe-me à lembrança uma frase que minha mãe me dizia assiduamente e que não resisto a transcrever:
"Um dia fecho-te a porta. Só sais quando eu deixar! Tens medo que te caia o tecto na cabeça?"
Passados estes anos e depois desta leitura, tenho de concluir que apesar da magia das janelas, afinal prefiro a liberdade das portas.
Obrigado por partilharem recordações da vida.
Dalila Garcia

dalila disse...

Sempre achei que as janelas tinham algo de romântico. Debruçada na janela do Artur, recordei com emoção o tom "ameaçador" com que minha mãe me brindava, sempre que chegava a casa depois da hora marcada. Dizia-me sempre:
"um dia fecho-te a porta. Não voltas a sair. Tens medo que o tecto te caia em cima?"
Depois da leitura descobri que gosto mais da porta. A porta dá-nos a liberdade. A janela a imaginação!
Obrigado por partilharem recordações.

Dalila Garcia

Anónimo disse...

Agradeço desde já a partilha através do FB do link que me trouxe "à janela do Artur"! Foi com enorme prazer que me debrucei à janela e por ela contemplei todas as paisagens descritas. Confesso que nas Caldas só estive uma vez quando era adolescente e poucas recordações me foram possíveis trazer...
No entanto deliciei-me aqui,solvendo a água de um chafariz que desconhecia e agora me parece tão próximo...
Obrigada pela realeza das palavras simples,Artur! E obrigada,SA, pela estrada que me fez entrar num lar com janelas tão escancaradas de vida.