ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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UM DIA NA VIDA (João Jales)

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Entrei na loja naquela quinta-feira cumprimentando quem estava, como habitualmente. Mas algo de estranho se passava, ninguém pareceu dar pela minha chegada porque, debruçados sobre o balcão e olhando para algo que eu não conseguia ver, alguns dos presentes diziam nomes, enquanto outros respondiam que sim e que não e que talvez… Todos quantos estavam na loja estavam nesse aglomerado de pessoas!
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O ambiente era ainda mais estranho porque do pick-up, colocado ali no canto à esquerda de quem entrava, jorrava uma dissonante melopeia oriental tocada por estranhos instrumentos que eu nunca tinha ouvido. Quem estaria a ouvir aquela bizarra música? Ninguém aparentemente, todos os clientes pareciam apenas atentos a uma grande fotografia colorida pousada em cima do balcão e diziam: Marilyn Monroe … Bucha e Estica… Marlon Brando... Tom Mix…
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Mas as coisas modificaram-se, a música tornou-se um Rock mais reconhecível, embora com arranjos diferentes, mais ambiciosos, do que eu estava habituado a ouvir; as vozes, essas eram fantásticas. Subitamente, um galo cantou…Um galo? Alguém, do grupo do balcão, se dirigiu ao disco que tocava e disse:
- Temos que ouvir o galo outra vez!
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Mas não conseguiu saber onde colocar a agulha porque não havia o habitual espaço entre músicas, elas sucediam-se ininterruptamente no disco e ele acabou por optar deixá-lo a tocar sem voltar atrás.
.Shirley Temple …. Diana Dors …. Einstein …. Marlene Dietrich …. nomes de artistas de cinema, escritores, cantores, políticos, a maioria por mim desconhecidos, continuavam a acompanhar o apontar de diversos locais da foto, mas o entusiasmo ia esmorecendo já que a tarefa ia ficando, aparentemente, mais difícil. Eu já entrevia a capa de um LP, igual aos do meu pai – eu só possuía EPs, menores e contendo apenas quatro músicas, mas nada parecido com o que ouvia agora! Depois de um estranho trecho orquestral terminar num inesperado estrondo, o Sr. Diogo virou o disco e, após o que parecia o ruído de uma pequena multidão num qualquer espectáculo, Paul McCartney começou a cantar “We’re Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band…”. Começava também assim um fascínio que não faria senão crescer durante 42 anos, que se completam no próximo dia 8 de Junho, o dia de 1967 que tudo isto se passou. Uma semana após o lançamento mundial do disco (1/6/67), ele estava disponível nas Caldas, o primeiro sinal que conheci da globalização.
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O meu pai tinha chegado entretanto à Tália e assistia, divertido, ao entusiasmo pelo objecto em causa. Os mais novos pela música, os mais velhos pela luxuriante capa onde estavam efectivamente representados seis dezenas de personalidades que os Beatles admiravam.
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Eu continuava a ouvir uma música irresistível, a sucessão de canções sem intervalo (coisa nunca vista) deixava-me sem respiração e, quando acabei de ouvir o segundo lado (que depois descobri ser o primeiro, ouvi o disco ao contrário) eu sabia que queria ouvir aquelas músicas para sempre e não apenas enquanto a Tália estivesse aberta… Foram duras as negociações familiares, os Beatles não eram um modelo que os nossos pais aprovassem, ao contrário de Cliff Richard, Pat Boone, Petula Clark, Adamo, etc. O grupo estava ligado à contestação de todo um modelo social e havia referências explícitas a drogas nas letras e no grafismo do disco (apesar de ter algumas reservas nessa altura em relação aos Beatles, o meu pai tornar-se-ia também um apreciador, mas mais tarde). O Sr. Nogueira acabou por salvar a situação sugerindo a abertura de uma conta em meu nome e deixando-me pagar a prestações os 188$50 que o LP custava. Como eu fazia anos no fim do mês, recebendo por isso cem escudos da minha generosa madrinha e outras importâncias menores de outros familiares, o meu pai autorizou a transacção. Fui a casa buscar cinquenta escudos (todo o dinheiro que possuía!) e, com essa entrada, formalizei o negócio e saí com um enorme envelope creme com o logótipo da Tália, dentro do qual estava o precioso “Sgt Pepper’s”.
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Tinha treze anos quando isto aconteceu e o disco em causa foi efectivamente o primeiro dos milhares que hoje desafiam qualquer arrumação e, embora tendo sido há muito expulsos (e eu com eles) da sala familiar, continuam a impossibilitar a ordenação e arranjo estético do espaço que eu ocupo em minha casa.
.A estes anos de distância vejo que este disco me deu uma perspectiva nova do que é a música, não simplesmente uma companhia ou um factor de convívio, mas uma nova dimensão em que é possível mergulhar com todos os sentidos. Cada canção correspondia a um pequeno filme que existia dentro de mim mas que só a música me fez descobrir. Auxiliado pelas letras inscritas no verso da capa (pela primeira vez na história da música gravada) voei com Lucy pelos céus (apesar de nem sonhar o que era LSD) e sentei-me com a Rita no seu sofá (sem saber que era uma mulher-polícia, as palavras das canções significam o que despertam em nós). Solidarizei-me com a adolescente que sai, chorosa mas decidida, de casa, apesar de todo o conforto material (She’s leaving home / After living alone / For so many years / Bye, bye – não fui copiar a lado nenhum, não foi preciso) e senti verdadeiramente que tudo era possível With a Little Help From My Friends e que esses amigos não viviam apenas nas Caldas da Rainha. Paul garantia: It’s Getting Better, e eu acreditava.
.Meditei longamente ao som dos 300 segundos (certos) do oriental Within or Without You, com as luzes apagadas e a persiana fechada enquanto dava finalmente uso a uns paus de incenso que a minha mãe tinha comprado algures, atingindo o mais absoluto nirvana e descobrindo que não há droga mais poderosa do que o nosso cérebro. Fui dançarino e malabarista ao som da música de circo de Mr Kite, fui uma vedeta de Rock fazendo coro com Lennon em Good Morning e com Paul no tema principal (de que eu preferia a 2ª versão, sem metais, no lado B) … Deslumbrei-me e intriguei-me eternamente (até hoje) com o incrível e indescritível A Day In The Life , apreciando pela primeira vez uma orquestra convencional e repetindo à exaustão a citação (talvez piada…) de Lennon de que o estrondo final do disco (quatro pianos percutidos simultaneamente uma só vez) era a tampa do sarcófago do conhecimento a fechar-se para a eternidade, deixando-nos nas trevas da ignorância… (eu tinha treze anos, queriam o quê, que não acreditasse no John Lennon?)
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Depois destas audições, nunca me agradou ver música acompanhada de filmes (os primeiros e incipientes videoclips são desta época), porque sempre preferi construir as minhas próprias imagens sobre a música de que realmente gosto. E tenho esboços de filmes que altero e refaço a cada audição dos Beatles, Bach, Beethoven ou Miles Davis … Alguns com pessoas, inventadas ou reais, outros quase abstractos.
.Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, apesar de frequentemente considerado e votado como tal, não é talvez o melhor disco da música popular do século XX nem sequer, na minha opinião, o melhor dos Beatles, mas contém a música que mudou a minha vida e me proporcionou os mais genuínos momentos de prazer musical que recordo ter experimentado. Só há uma primeira vez…
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João Jales



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C O M E N T Á R I O S
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Isabel X disse...
Face a este testemunho de JJ só posso reconhecer, uma vez mais, que tive uma adolescência muito amputada... Não me lembro de nada, mas absolutamente nada, que nessa época me tivesse suscitado semelhante dose de sentimentos.
Curiosamente, talvez por razões diversas, sinto grande afinidade com ele quando diz "porque sempre preferi construir as minhas próprias imagens...". Eu também, mas tal noção só me aconteceu muito mais tarde, por motivos muito diversos. Parabéns JJ, por teres tido uma adolescência assim tão marcante!
- Isabel X -
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Isabel Esse disse...
Sempre me lembro de ouvir falar do JJ como um maluco da música,não fico nada admirada por ter começado tão cedo a apreciá-la.
Os Beatles são um grupo sempre actual com uma música que não envelhece,embora eu não os conheça tão bem como o JJ.Ele deve conhecer tudo de cor!!!
Mais um artigo em que somos contagiados pelo entusiasmo do autor e em que ele consegue transmitir-nos o seu prazer e o seu gosto pelas coisas de que fala.
Isabel
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São Caixinha disse:
O teu notável gosto pela música e particularmente pelos Beatles faz-se bem sentir neste teu texto pleno de côr e vivacidade. Destemida e generosamente, entre notas de humor e ingenuidade, deixas-nos entrar no mundo privado da tua experiência da música. Surpreendente e admirável! O entusiamo é contagiante e provoca-me, para começar, preciosos momentos de nostalgia...mais tarde terei que ouvir o LP com atenção renovada!!!
Brilhante!!! Os meus parabéns!
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João Ramos Franco disse...
Entendo o teu encontro, “UM DIA NA VIDA (João Jales)”, como o espelho de toda uma geração que encontrou nos Beatles a imagem e a sonoridade da música, que de certo modo alterou o comportamento da juventude em determinada época. O modo como contas este episódio, citando outros cantores e músicas, anteriores, marcam bem como o sentias.
Claro está que estou a ver este episódio com a distância da idade que nos separa, eu já estava a cumprir serviço militar e tu ainda na idade de quem está sensível aos movimentos da tua época.A música e cantores do meu tempo, alguns, também me marcaram, mas de outro modo, que não vou agora contar pois iria desvendar o que tenho para escrever sobre este assunto…De qualquer modo, este dia da tua adolescência, está muito bem arrancado e mostra-nos a geração Beatles…
O sempre amigo
João Ramos Franco
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Luis disse:
Passei a noite de domingo a ouvir o meu velho exemplar do Srgt. Peppers...Não consigo fazer melhor elogio ao que escreveste!!!Luis
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Fernando disse:
(...) o que me impressionou foi o facto de me ter sentido quase como um habitué das Caldas dos 60, na pele de um pré-adolescente. Isso é que foi admirável e a responsabilidade foi tua.
Eu ouvi pela primeira vez algo do Pimenta na camarata do 6º ano, no colégio e pelo altifalante que também debitava o som da corneta da alvorada e as mensagens urgentes (felizmente que nessa ocasião os sons dos de Liverpool estavam destacados). Não ouvi o disco todo , mas fiquei também impressionado.
Claro que já tinha ouvido o Aftermath e o Paint it Black anteriormente... Para a compra, tinha a grande vantagem dos meus 16 anos, com uma semanada de 50 mil reis e algumas economias de lado. Foi canja e tenho pena de já não ter os acessórios.
"It was almost forty two years ago today."
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J L Reboleira Alexandre disse...
O menos que se pode dizer do JJ é que foi «musicalmente precoce». Aos 13 anos música lá em casa só se fosse a dum velho transistor comprado pelo meu pai nas Canárias, numa das suas inúmeras viagens pelo Atlântico.
O João, como é seu hábito, oferece-nos uma escrita que se lê «d' un trait» e nos transporta para outras épocas. A tal preferência que já na altura tinha em criar as suas imagens a partir dos sons que escolhia, reflete-se na facilidade que tem em partilhá-las com os seus leitores.
Foi pela mesma altura, com os meus cerca de 2 anos mais, que igualmente descobri os Fab Four, mas mais os Stones (não havia qualquer tipo de censura doméstica no meu caso...) apesar de me tocarem mais os intérpretes de baladas. Nomes como Mélanie Safka, (hoje apenas Mélanie)com a fabulosa interpretação de «What have they done with my song, Ma» ou Beautiful People, e outros nomes tais Baez, Dylan (que nas poucas palavras que menciona nos seus concertos actuais, pergunta sempre o que é que os jovens de 60 viam nele?), a extraordinária J. Joplin, o meu «conterrâneo» L. Cohen, enfim a lista é quase infinita. Hoje apenas Amy «vinho da casa» (não resisto à tradução, mas a culpa é dela), me confere emoções similares àquelas que me eram transmitidas pelas magnificas vozes de 60 ou inicio de 70.
Um abraço.
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ZE_MAS disse...
Esta é uma das grandes descrições que apareceram neste blogue.Pessoal e emocionante,só quem gosta MUITO de música consegue escrever assim sobre um grande momento musical como é o Sargento Pimenta.So discordamos porque eu acho que é mesmo o melhor disco do século,como a mais recente lista da Rolling Stone mostrou.Mas isso é outra discussão.Brilhante!Parabéns
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vitor b disse...
Eu já nem me lembro bem deste disco dos Beatles mas só de ler o que escreveste fiquei com vontade de o ouvir outra vez.Lembro-me do With a little help e do Lucy in the skye e do Strawberry fields...... Os discos na Tália eram realmente uma tentação inacessível porque os 188 escudos de que falas eram muito dinheiro naquela época,devias ter explicado isso melhor!
Esta série é uma boa ideia mas pode é haver falta de pessoas com a tua memória,como diz a Isabel Xavier.
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Luisa disse:
Como habitualmente gostei muito de ler a tua prosa. E há duas partes distintas,em que recordas a Tália e outra em que recordas o disco,que eu também ouvi sem parar numas férias em casa dos meus primos mas estou convencida que em 1968.E isso permitiu-me recordar as tuas citações das canções,noutro disco seria mais dificil!
Eu lia mais do que ouvia música mas,como outros comentadores,não tenho memórias tão boas como as tuas para contar...só impressões vagas e a certeza de ter gostado muito dos Cinco,os Sete,das Mulherzinhas,das Pupilas do Senhor Reitor,a Cidade e as Serras,etc.L
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António disse...
O JJ teve certamente um contacto maior do que eu com a musica e este disco em mais novo.Para conseguir falar dele desta forma não o conheceu em adulto onde,como ele próprio dá a entender nada nos impressiona desta maneira.
Gosto de ver a música do Beatles,de que os meus filhos com 20 anos tambem gostam recordada desta maneira.
Também gostei da parte da Tália(com o Diogo e o Sr. Nogueira)mas é realmente o final que torna este texto verdadeiramente real como se tivesse acontecido ontem. António
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farofia disse...
“Um Dia na Vida” simplesmente extraordinário! Entretidos com o reconhecimento do ‘Who is Who’ na capa do disco, os clientes desconstroem o puzzle até o galo cantar no prato… do pick-up, aparentemente alheios à música, tão bizarra quanto a capa.
Mas é a música que apaixona os treze anos, musicalmente precoces, do João Jales. É o ‘coup de foudre’ que dá asas à sua imaginação na arquitectura do plano económico financeiro capaz de sustentar-lhe o sonho.
Essa a conquista saborosa com início num dia de data marcada na vida, no tempo dos sonhos possíveis.
Como é "gostosa" esta história!
Inês
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Júlia R disse:
Como sempre,escreves duma maneira que dá gosto ler e mais uma vez me deliciei. Sente-se o teu gosto pela música, a vivência da tua juventude que deve ter sido fabulosa, todo o teu dinamismo que se nota ser inato, desde muito jovem.
Parabéns, fico contente por teres vivido tantas situações que te marcaram e contribuíram para que uma fase da tua vida, a adolescência, me pareça ter sido muito feliz .
Beijinhos. Júlia

12 comentários:

Isabel X disse...

Face a este testemunho de JJ só posso reconhecer, uma vez mais, que tive uma adolescência muito amputada... Não me lembro de nada, mas absolutamente nada, que nessa época me tivesse suscitado semelhante dose de sentimentos.
Curiosamente, talvez por razões diversas, sinto grande afinidade com ele quando diz "porque sempre preferi construir as minhas próprias imagens...". Eu também, mas tal noção só me aconteceu muito mais tarde, por motivos muito diversos. Parabéns JJ, por teres tido uma adolescência assim tão marcante!
- Isabel X -

Isabel Esse disse...

Sempre me lembro de ouvir falar do JJ como um maluco da musica,não fico nada adnirada por ter começado tão cedo a apreciá-la.
Os Beatles são um grupo sempre actual com uma musica que não envelhece,embora eu não os conheça tão bem como o JJ.Ele deve conhecer tudo de cor!!!
Mais um artigo em que somos contagiados pelo entusiasmo do
autor e em que ele consegue transmitir-nos o seu prazer e o seu gosto pelas coisas de que fala.Isabel

João Ramos Franco disse...

Entendo o teu encontro como, “UM DIA NA VIDA (João Jales)”, o espelho de toda uma geração que encontrou nos Beatles a imagem e a sonoridade da música, que de certo modo alterou o comportamento da juventude em determinada época. O modo como contas este episódio, citando outros cantores e músicas, anteriores, marcam bem como o sentias. Claro está que estou a ver este episódio com a distância da idade que nos separa, eu já estava a cumprir serviço militar e tu ainda na idade de quem está sensível aos movimentos da tua época.
A música e cantores do meu tempo, alguns, também me marcaram, mas de outro modo, que não vou agora contar pois iria desvendar o que tenho para escrever sobre este assunto…
De qualquer modo, este dia da tua adolescência, está muito bem arrancado e mostra-nos a geração Beatles…
O sempre amigo
João Ramos Franco

Anónimo disse...

Passei a noite de domingo a ouvir o meu velho exemplar do Srgt. Peppers...Não consigo fazer melhor elogio ao que escreveste!!!Luis

J L Reboleira Alexandre disse...

O menos que se pode dizer do JJ é que foi «musicalmente precoce». Aos 13 anos música lá em casa só se fosse a dum velho transistor comprado pelo meu pai nas Canárias, numa das suas inúmeras viagens pelo Atlântico.

O João, como é seu hábito oferece-nos uma escrita que se lê «d' un trait» e nos transporta para outras épocas. A tal preferência que já na altura tinha em criar as suas imagens a partir dos sons que escolhia, reflete-se na facilidade que tem em partilhá-las com os seus leitores.

Foi pela mesma altura, com os meus cerca de 2 anos mais, que igualmente descobri os Fab Four, mas mais os Stones (não havia qualquer tipo de censura doméstica no meu caso...) apesar de me tocarem mais os intérpretes de baladas. Nomes como Mélanie Safka, (hoje apenas Mélanie)com a fabulosa interpretação de «What have they done with my song, Ma» ou Beautiful People, e outros nomes tais Baez, Dylan (que nas poucas palavras que menciona nos seus concertos actuais, pergunta sempre o que é que os jovens de 60 viam nele?), a extraordinária J. Joplin, o meu «conterrâneo» L. Cohen, enfim a lista é quase infinita.

Hoje apenas Amy «vinho da casa» (não resisto à tradução, mas a culpa é dela), me confere emoções similares àquelas que me eram transmitidas pelas magnificas vozes de 60 ou inicio de 70.

Um abraço.

ze_mas disse...

Esta é uma das grandes descrições que apareceram neste blogue.Pessoal e emocionante,só quem gosta MUITO de música consegue escrever assim sobre um grande momento musical como é o Sargento Pimenta.So discordamos porque eu acho que é mesmo o melhor disco do século,como a mais recente lista da Rolling Stone mostrou.Mas isso é outra discussão.
Brilhante!Parabéns.

vitor b disse...

Eu já nem me lembro bem deste disco dos Beatles mas só de ler o que escreveste fiquei com vontade de o ouvir outra vez.Lembrp-me do With a little help e do Lucy in the skye e do Strawberry fields......
Os discos na Tália eram realmente uma tentação inacessível porque os 188 escudos de que falas eram muito dinheiro naquela época,devias ter explicado isso melhor!
Esta série é uma boa ideia mas pode é haver falta de pessoas com a tua memória,como diz a Isabel Xavier.

António disse...

O JJ teve certamente um contacto maior do que eu com a musica e este disco em mais novo.Para conseguir falar dele desta forma não o conheceu em adulto onde,como ele próprio dá a entender nada nos impressiona desta maneira.
Gosto de ver a música do Beatles,de que os meus filhos com 20 anos tambem gostam recordada desta maneira.
Também gostei da parte da Tália(com o Diogo e o Sr. Nogueira)mas é realmente o final que torna este texto verdadeiramente real como se tivesse acontecido ontem. António

Anónimo disse...

Como habitualmente gostei muito de ler a tua prosa.E há duas partes distintas em que recordas a Tália e outra em que recordas o disco,que eu também ouvi sem parar numas férias em casa dos meus primos mas estou convencida que em 1968.E isso permitiu-me recordar as tuas citações das canções,noutro disco seria mais dificil!
Eu lia mais do que ouvia música mas,como outros comentadores,não tenho memórias tão boas como as tuas para contar......só impressões vagas e certeza de ter gostado muito dos Cinco,os Sete,das Mulherzinhas,das Pupilas do Senhor Reitor,a Cidade e as Serras,etc.Luisa

farofia disse...

“Um Dia na Vida” simplesmente extraordinário! Entretidos com o reconhecimento do ‘Who is Who’ na capa do disco, os clientes desconstroem o puzzle até o galo cantar no prato… do pick-up, aparentemente alheios à música, tão bizarra quanto a capa.

Mas é a música que apaixona os treze anos, musicalmente precoces, do João Jales. É o ‘coup de foudre’ que dá asas à sua imaginação na arquitectura do plano económico financeiro capaz de sustentar-lhe o sonho.

Essa a conquista saborosa com início num dia de data marcada na vida, no tempo dos sonhos possíveis.

Como é gostosa esta história!

Anónimo disse...

Eu cá por mim, dentro das minhas modestas capacidades, continuava com o blogue. Quase 170 mil visitas em dois anos, tem um significado preciso, que não é possível ignorar.
Claro, isto é tudo muito bonito, mas tem que haver alguém que coordene (se não, é como diria um amigo meu:. «juntamo-nos todos e vão lá vocês!»). Se o JJ continuar para aí virado, menos mau... compreendo perfeitamente que possa estar cansado, mas haverá maneira de dar uma qualquer ajuda em concreto? E a tal antologia que já se falou diversas vezes, destes dois anos de textos desenhos e imagens? Há um testemunho incontornável sobre a cidade e um tempo histórico a ela associado que lá está presente. pelo menos é o que eu acho...
Abraço. Zé Carlos Faria

Isabel Truninger de Albuquerque disse...

Esbarrei logo na Shirley Temple que me levou para um livro encadernado que os meus pais me deram quando fiz 10 anos? "Susannah de la Police Montée" com imagens do filme protagonizado por esta atriz que teria 10 anos, onde as suas aventuras na Polícia Montada do Canadá me levaram a cavalo de coração nas mãos...adorei voltar à Tália e reencontrar o Sr.Nogueira as coisas muito novinhas que lá havia, os cheiros tudo tão diferente do Sr.Silva Santos, a história de nós só termos os discos pequenos os nossos pais é que tinham os LP´s e depois os Beatles isto era tão assim.... obrigada JJ!!