ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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DISCO SOUND (disse a Belão)






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No seu texto a Belão trouxe pela primeira vez ao Blog o Disco. Apesar do desdém com que era encarado pelos apreciadores de música de todo o mundo, poucos se poderão gabar de não ter dado uns saltos ao som de "That's the Way (I Like It)", "(Shake, Shake, Shake) Shake Your Booty","You Should Be Dancing", "Stayin' Alive", I Will Survive, "Love to Love You Baby", "Love’s Theme" , "Fly Robin Fly" ou "Le Freak". A lista não acaba (e eu não sou um especialista).
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O Disco Sound apareceu no início da década de setenta, filho do som da Motown, bem como do Soul e do Funk em geral; foi em Filadélfia e Nova Iorque que surgiram as primeiras discotecas em que os hispânicos, os negros, os travestis e a comunidade gay em geral se encontravam em noites loucas de Sábado, com as drogas a correrem de forma abundante e descarada. Claro que se tornaram locais irresistíveis para a juventude americana em geral, onde se dançava com movimentos corporais lascivos e com tacões altos (eles e elas), exibindo penteados afro e patilhas farfalhudas unidas ao bigodes, as calças boca-de-sino a apertarem na cintura e a alargar desmesuradamente junto ao chão... A roupa era espartilhada, muito justa, e decorada com cornucópias e folhos, em padrões roubados à op-art e aos artistas psicadélicos. Saturday Night Fever retrata (em tons suaves…) esta realidade.
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Com o seu aparecimento os pressupostos da música popular alteraram-se (e degradaram-se) de forma definitiva. Os músicos e cantores eram meros contratados dos produtores, técnicos de som e arranjadores, a música de dança deixou de lado conceitos de originalidade criativa, honestidade artística, expressão pessoal, virtuosismo e capacidade de improvisação, etc. Os espectáculos ao vivo, um dos grandes momentos de celebração da anterior Geração do Rock, faziam-se agora em play-back, já que só a coreografia interessava. Sintetizadores, orquestras anónimas e sons pré-gravados substituíram as individualidades musicais que o Rock tinha transformado quase em deuses. Os guitar heroes eram ignorados e até os bateristas viram o seu papel diminuído, já que uma das características do Disco era o facto do ritmo ser marcado por linhas de baixo sincopadas que marcavam muitas vezes, como no Jazz, os contratempos. Mas eram usadas gravações sintetizadas e sincronizadas ao milésimo de segundo, e não músicos. As letras eram frívolas e alienantes, completamente subordinadas ao fim em vista: a febre de Sábado à noite. Cheirando a drufos e a suor, os dançarinos não reparavam nem se preocupavam com a qualidade da música, obviamente.
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Dizia-se que no final da noite no famoso Studio 54 de Manhattan, as mulheres da limpeza empacotavam o conteúdo dos sacos dos aspiradores para revender na rua….
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Os disc-jockeys eram os principais promotores e divulgadores desta música, sendo até chamados a remisturar temas que depois assinavam com o seu nome no mesmo tamanho dos intérpretes originais! Com o disco a música pop desceu os seus padrões, tornando-se estereotipada, repetitiva e pouco imaginativa, contribuindo para a diminuição dos padrões do gosto musical.

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Saturday Night Fever, de 1977, com uns Bee Gees em versão castrati, constituiu o apogeu da moda que viria a acabar mais ou menos subitamente nos Estados Unidos, devido ao êxito junto dos media da campanha “Disco Sucks” e principalmente após a Disco Demolition Night realizada em Chicago em Setembro de 1979. O Punk e a New Wave tinham ganho a batalha nos EUA, mas na Europa continuou-se a dançar Disco e, mais tarde, hip-hop, techno, house, electro-dance, etc., herdaram muitos dos seus princípios.
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Claro que em Portugal tudo isto aparecia, em quase todas as circunstâncias, apenas com o carácter superficial de uma simples moda e é a isso que a Belão se refere no seu texto.
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Se me apontassem uma arma à cabeça e eu tivesse que ouvir e dançar uma música de Disco Sound para salvar a minha vida, qual escolheria? Se tivesse mesmo que ser, seria esta, de uma grande senhora da música de New Orleans que, em meados de setenta, também gravou Disco (temos todos que ganhar a vida, não é?).
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João Jales



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COMENTÁRIOS

Belão disse...
Não conheço apreciador de música que goste de Disco Sound. Aquele tum tum tum tão criticado, aquele som tão igual em todas as músicas, aquelas letras tão sem nada, marcaram uma época. Foram uma moda. Segundo o meu filho: Que foleirada, mãe!

Mas divertia-me muito naquela época. Gosto de dançar! Acho que as coreografias me fascinavam e foi talvez quando mais exercício físico fiz. Eram horas a fio num "shake your body".

Gostei e gosto de recordar esses tempos e vou mesmo confessar-te João, que não resisti a ir ao Pavilhão Atlãntico, devidamente trajada, dar um pézinho de dança quando por cá passaram os Kool and the Gang e os Chic, tristíssima por ter faltado, no ano anterior, aos Bonnie M e aos Village People. Deu também para ver que a idade não perdoa!

Adorei ler toda a informação que aqui nos ofereces e recordar todas as boas músicas referidas em posts anteriores. Há muitas marcantes e que poderei ligar a esta ou aquela fase da minha vida, ou a alguém em particular. Mas lembrei-me que ninguém ainda tinha falado desta moda que, tal como dizes " poucos se poderão gabar de não ter dado uns saltos ao som de .....". Independentemente da qualidade musical, era a moda. E eu aderi à moda. joão, ainda havemos de dançar uma musiquinha destas!Bjo
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Isabel Esse disse...
Mais uma Lição de Música!!!Nem de propósito para me dar razão,ainda há diias aqui escrevi que o Jales era mestre nesta matéria.E esta até mostrei ao meu filho para ele ver que perceber de música não é só saber fazer Download daquelas "musicas" que ele houve no mp3!Bj.IS
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ze_mas disse...
Como muitos outros venho todos os dias ao blogue mas sem nunca ter tempo para escrever nada.Mas hoje arranjei dois minutos para dizer que é uma grande satisfação:

1 Ver uma época descrita com o entusiasmo e a alegria como fez a Isabel e

2 Ver uma explicação de forma tão bem feita como a que o João aqui acrescentou às recordações da amiga.

É sempre um prazer ler estas explicações feitas por quem sabe e gosta.Parabéns!

Guida disse...
Adorei a informação musical, a qual vivi intensamente e que neste momento se me apresenta já um pouco remota devido ao B.I., mas contudo estou aqui para as recordar ao vivo , para quando um renascer das discotecas de época?
Esses locais onde conviviamos em sã camaradagem com os nossos namoricos à mistura e dos quais existem grandes exemplares...Bjs
Migui


Luís disse:
Nunca fui grande dançarino mas embora concorde com o JJ quanto à qualidade musical da maioria da música DISCO não posso deixar de concordar também com a Blão em relação ao ambiente de alegria e festa que se vivia nas discotecas ao som destas canções.
A prosa do JJ é informativa e sintética mas talvez demasiado opinativa,como quem o conhece sabe que é habitual nele!E eu sei que há uma história com ele e esta Lady marmalade no Ferro-Velho,ou não há?
Um abraço.Luis

4 comentários:

Belão disse...

Não conheço apreciador de música que goste de Disco Sound. Aquele tum tum tum tão criticado, aquele som tão igual em todas as músicas, aquelas letras tão sem nada, marcaram uma época. Foram uma moda. Segundo o meu filho: Que foleirada, mãe!
Mas divertia-me muito naquela época. Gosto de dançar! Acho que as coreografias me fascinavam e foi talvez quando mais exercício físico fiz. Eram horas a fio num "shake your body".
Gostei e gosto de recordar esses tempos e vou mesmo confessar-te João, que não resisti a ir ao Pavilhão Atlãntico, devidamente trajada, dar um pézinho de dança quando por cá passaram os Kool and the Gang e os Chic, tristíssima por ter faltado, no ano anterior, aos Bonnie M e aos Village People. Deu também para ver que a idade não perdoa!
Adorei ler toda a informação que aqui nos ofereces e recordar todas as boas músicas referidas em posts anteriores. Há muitas marcantes e que poderei ligar a esta ou aquela fase da minha vida, ou a alguém em particular. Mas lembrei-me que ninguém ainda tinha falado desta moda que, tal como dizes " poucos se poderão gabar de não ter dado uns saltos ao som de .....". Independentemente da qualidade musical, era a moda. E eu aderi à moda.
joão, ainda havemos de dançar uma musiquinha destas!
Bjo

Isabel Esse disse...

Mais uma Lição de Música!!!Nem de propósito para me dar razão,ainda há diias aqui escrevi que o Jales era mestre nesta matéria.E esta até mostrei ao meu filho para ele ver que perceber de música não é só saber fazer Download daquelas "musicas" que ele houve no mp3!Bj.IS

ze_mas disse...

Como muitos outros venho todos os dias ao blogue mas sem nunca ter tempo para escrever nada.Mas hoje arranjei dois minutos para dizer que é uma grande satisfação:
1 Ver uma época descrita com o entusiasmo e a alegria como fez a Isabel e
2 Ver uma explicação de forma tão bem feita como a que o João aqui acrescentou às recordações da amiga.É sempre um prazer ler estas explicações feitas por quem sabe e gosta.
Parabéns!

Guida disse...

Adorei a informação musical, a qual vivi intensamente e que neste momento se me apresenta já um pouco remota devido ao B.I., mas contudo estou aqui para as recordar ao vivo , para quando um renascer das discotecas de época?
Esses locais onde conviviamos em sã camaradagem com os nossos namoricos à mistura e dos quais existem grandes exemplares...Bjs
Migui