ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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In memoriam – Professora Noémia Félix

Noémia Félix – Samarcanda, Uzebequistão, 2008

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Criança irrequieta, ridente, apartada ainda do mundo dos adultos, encontrava no Externato Ramalho Ortigão espaço privilegiado para brincadeiras, porquanto repetidas em todas as latitudes e épocas, tão intemporais quanto benignas. O mundo de então, pincelado com cores fortes e aromas inebriantes, circunscrevia-se a uma sala de aulas que divergia das demais pelo tamanho das carteiras, mais pequenas, e a um recreio onde, para além do jogo do berlinde, se corria sem fadiga atrás de sonhos.
Nesse tempo de meninice, viragem da década de sessenta para a de setenta, ter-me-ei cruzado inúmeras vezes, sem o saber, com uma jovem alentejana que o destino fizera ancorar nas Caldas da Rainha para, no Externato Ramalho Ortigão, exercer o seu múnus professoral.
A diferença etária, enorme ao tempo, entre uma jovem de 26 e um petiz de oito anos, impossibilitava que o diálogo brotasse espontânea e naturalmente. Ainda que nos cruzássemos amiúde, porventura mais do que uma vez por dia, mantínhamo-nos distantes ao nível do pensamento. Nenhum soube da existência do outro salvo se, porventura, no decurso de uma qualquer corrida desabrida, esse miúdo que fui tivesse chocado com a mestre.
A marcha indelével do tempo ter-nos-á separado durante décadas. Um terá feito de Lisboa o seu espaço matricial, não obstante viajasse continuadamente pelo orbe. Outro, terá feito do mundo a sua casa, não obstante volvesse com frequência a Lisboa.
Quis o destino que, numa Valáquia pardacenta, herança de um regime concentracionário que destruiu o ethos do povo romeno, nos tivéssemos reencontrado casualmente na viragem do milénio. Desse reencontro fortuito, casual, despontou uma amizade apenas interrompida em Agosto de 2009. Da empatia surgida logo no primeiro encontro, numa Europa que então se rasgava a Oriente, sucederam-se longos serões de conversa. Apaixonados por um sem número de povoados perdidos da memória dos Homens e, quiçá, de Deus, desenhávamos no ar as vielas de Samarcanda, Tashkent, Antioquia, Cesareia da Capadócia, Ur, Tebas e tantas outras urbes que permanecem no imaginário dos viandantes sem passaporte do tempo presente.
Com imensa nostalgia recordo as conversas que, em redor de uma pequena távola setecentista, mantivemos noites fora. As vivências, de tão intensas que eram, permitiam que visionássemos espaços há muito não trilhados ou, inclusivamente, perdidos da memória colectiva. O extremo rigor daquele Inverno em que nos conhecemos, propício ao diálogo, levou-nos a calcorrear não apenas a Valáquia como também a Transilvânia de Vlad Tepes, o prócere independentista moldavo que usava, à guisa de brasão, um escudo onde surgia desenhado, a sanguíneo, um dragão (drakon, em grego, pelo latim draconem, acusativo de draco).
Visitámos então sem pressas povoados perdidos em vales ultra periféricos, de acesso difícil, os quais, mantendo inalterável a traça de séculos, transportavam-nos para a época em que a região era governada pelos fanariotas gregos ao serviço da Sublime Porta. Os camponeses estabelecidos nas paupérrimas planícies que bordejavam a antiga Dácia, habituados a uma agricultura de subsistência onde a aiveca de madeira ainda hoje assume prevalência sobre a relha metálica, vivem ao ritmo das estações do ano no cumprimento de um calendário que, tirando aqui e ali um telemóvel ou uma antena de televisão, poderia fazer-nos retornar a Setembro de 1829, data da assinatura do tratado de Adrianápolis, na Trácia turca, que pondo termo ao conflito russo-otomano (e que estaria na base da independência helénica, a 14 de Setembro desse mesmo ano), acabou por reconhecer a autonomia dos principados danubianos da Valáquia e da Moldávia.
Um e outro perscrutávamos o mundo em permanência, consequência de multíplices afazeres profissionais, pelo que apenas de quando em vez nos reencontrávamos na sua casa da Portela de Loures, às portas de Lisboa. Porém, os modernos meios de comunicação permitiam que o diálogo fluísse constantemente e que soubéssemos exactamente o que se passava com o outro. Assim sendo, durante uma década trocámos ideias sobre assuntos tão díspares quanto sejam o porvir do legado greco-romano e judaico-cristão e a crescente perda identitária da velha Lusitânia.
Nascida a 19 de Agosto de 1944, na Granja, pequena freguesia do concelho de Mourão, ingressou no curso de História, em Lisboa, por ser uma apaixonada pelo passado e, por extensão, pela obra civilizacional que os nautas, soldados, escambadores e missionários de antanho legaram ao mundo.
Ainda sem o curso acabado foi dar aulas para o Externato Ramalho Ortigão, novel experiência que muito a marcou pela positiva, tendo concluído a licenciatura, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no ano lectivo de 1976-1977. Mais tarde completaria o mestrado em Ciências da Educação e, em fase ulterior, os estudos de terceiro ciclo, destinados a concluir o doutoramento, na Faculdade de Filosofia e Ciências da Educação da Universidade de Sevilha.
Professora do secundário durante anos, na Escola Preparatória Damião de Góis, pois dispunha de natural vocação formadora e incomodava-a de sobremaneira a crescente perda de credibilidade do ensino, publicou diversos manuais que foram adoptados pelo Ministério da Educação. Como avaliadora externa da Inspecção-geral da Educação, dependente do ministério homónimo, viajou um pouco por todo o lado. Em complemento desta paixão, que começou a ganhar foros de cidadania ainda nos anos 80, percorreu as bolanhas da Guiné, as chanas de Angola, as picadas de Moçambique, as savanas etíopes, as montanhas quenianas e, até, o deserto líbico. Tendo cruzado por diversas vezes o mar-oceano, tanto em direcção às Américas como às Índias, dançou marchas populares portuguesas em Malaca, orou à Virgem Maria na igreja de São Paulo em Diu, percorreu o museu de Arte Sacra em Olinda, descansou nas ruínas das missões jesuítas no Uruguai, leu o Esmeraldo de Situ Orbis nas ameias de São Jorge da Mina, desceu às cidades subterrâneas da Capadócia, procurou conhecer a forma como Ornar Khayyam reformou o calendário muçulmano em Samarcanda e, ainda, absorveu as telas marítimas do arménio de passaporte russo Ivan Aivazovsky em São Pedroburgo.
Por detrás desta viandante compulsiva, herdeira dos romeiros franciscanos que demandavam a Judeia e a Galileia, em tempos de confrontação civilizacional, vislumbrava-se uma mulher altruísta, abnegada, desinteressada, desprendida, generosa e leal. Alguém em quem se podia confiar e que fora educada na observância aos valores intemporais da Grei.
A morte abrupta e inesperada levou-a, a 25 de Agosto de 2009, do convívio de quantos a estimavam. Hoje, resta a recordação de uma Mulher de bem, temente a Deus e às Sagradas Escrituras. Alguém que, revendo-se em Bento XVI e nos Sumos Pontífices anteriores, procurava fazer deste planeta a casa do Senhor.
Façamos um minuto de silêncio, em preito de homenagem, ao recordar quem, naqueles anos despreocupados que marcaram a transição da década de 60 para a de 70, ainda livre das influências funestas externas cujos reflexos começam a fazer-se sentir nestes anos do fim, tudo deu para que o Externato Ramalho Ortigão fosse um estabelecimento de referência.

António José
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C O M E N T Á R I O S
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Isabel X disse...
Mal eu sabia quando, há pouco mais de um ano, escrevi para este blogue um texto sobre o Ramalho Ortigão e a Dra. Noémia, nossa professora de História, que ela viria a falecer passado tão pouco tempo.
Pelo testemunho tão belo e sentido que aqui podemos ler, ficamos a saber que a Dra. Noémia teve uma vida curta mas muito preenchida e rica.
Esta é a melhor homenagem que podemos prestar à sua memória: lembrá-la através destas palavras tão amigas e juntarmo-nos ao minuto de silêncio que nos é proposto.
- Isabel Xavier -
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Pereira da Silva disse...
Eis uma notícia triste.É uma pena que só perante a evidência da partida consigamos reconhecer a importância que algumas pessoas acabaram por ter nas nossas vidas. O que é uma espécie de fazer tricot ao contrário...da trama tecida para a descoberta do fio com que se teceu.
A Drª Noémia foi minha professora de História e um dos sopros frescos que se sentiram no ERO naqueles anos.
O seu ensino era substancialmente diferente do ensino tradicional da História, como o que praticava a Drª Deolinda, por exemplo.
À História, meio oficial e feita de verdades certas, do compêndio a Drª Noémia acrescentava sempre a hipótese de haver uma ou várias perspectivas e explicações diferentes.
Lembro-me disso a propósito da sua abordagem dos Descobrimentos....porque ao compêndio ela acrescentou Baquero Moreno e Jaime Cortesão dando-me, pelo menos a mim, essa noção de que a escrita da História é sempre o registo duma determinada interpretação dos factos provados. E se isso hoje é do senso comum, naquele tempo fazia toda a diferença.
Saber, hoje, pelo testemunho prestado da grandeza da sua alma deixa-me mais feliz. É bom saber ter sido "tocado" por alguém assim.
Paz à sua alma
Pereira da Silva
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PLB disse...
Foi com tristeza que li a notícia do desaparecimento da Dra.Noémia, o António José deixou-nos aqui o quadro de uma viajante que teria certamente muitas e interessantes coisas para contar.
A Dra. Noémia foi minha professora no 5º ano e sucedeu ao Dr. Garcia Domingues, na altura achei que lhe faltava a experiência de uma vida que o professor anterior mostrara mas isso era inteiramente justificado pela sua juventude de então, certamente que depois da uma vida de viajante como a que nos foi relatada teria muito para contar, talvez o António José possa um dia destes partilhar alguma dessas histórias aqui no Blog.
Até sempre Dra. Noémia,
Pedro Bandeira
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J J disse...
Lembro-me vagamente da Dr.ª Noémia no meu último ano no ERO, em 1971, mas conheci-a bem no ano seguinte, em que já estava em Lisboa. Primeiro porque a sua casa era um local de convívio em que se conversava e discutia livremente, se jogavam cartas e se ouvia música, depois porque no seguimento desse convívio acabei por me envolver na organização de um baile no Carnaval de 1972 no seu apartamento, que ficava no início da R. da Alegria, mesmo a seguir à Ponte. O baile foi um sucesso e reuniu várias gerações de alunos, muitos de nós, rapazes, já estávamos a estudar em Lisboa mas as raparigas eram quase todas suas alunas. Foi a única vez que fui a um baile de Carnaval em casa de um professor do Colégio, era essa a diferença que queria referir em relação à Dr.ª Noémia.
Não guardo uma recordação de alguém tão conservador como o António descreve no seu post, talvez por a termos conhecido em circunstâncias e momentos diversos. Mas partilhamos a imagem de alguém curioso e aberto à vida, ao conhecimento e aos outros. Lembro-me que ela ansiava por conhecer o Mundo, fico satisfeito por saber que o conseguiu.
É a segunda vez que o António colabora com o Blog, enriquecendo-o com a sua forma muito rigorosa e característica de redigir e também de encarar as pessoas e a vida. Espero que continue, claro.
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Anabela disse...
Faço minhas as palavras do Zequinha Pereira da Silva.Foi realmente uma lufada de ar fresco no ERO.
Foi graças a ela que aprendi alguma coisa de Filosofia, que ainda hoje recordo.A Historia, que em muito se cruzava com o estudo da Filosofia, era abordada por ela de uma forma muito interessante.
Foi com grande pesar que soube através do Antonio Jose do seu desaparecimento.
Que descanse em paz!
Anabela Castro
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Antonio Jose disse...
A sua campa merece todas as nossas flores, dos seus alunos do ERO, no silêncio contemplativo do florescer e apagar desses breves momentos a que chamamos vida.
A escrita poética do António José devolve-nos um retrato vivo da professora de história, abraçando intensamente o tempo e espaço, perseguindo em lugares fantásticos a história e "estórias" deste mundo, no qual nunca estamos separados graças ao blogue do ERO.
António José Neto
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Luísa Pinheiro disse...
Fiquei perfeitamente em choque quando por aqui soube da morte da Dra. Noémia, nossa querida professora de História. Ela e a Dra. Júlia de Português foram para mim as professoras mais fantásticas que tive. Uma "lufada" de ar fresco no ensino a que estávamos habituados.
Eu segui História e um dia quando a encontrei na Faculdade (ela estava a terminar o curso) tratei-a como sempre por Dra. Noémia, ela respondeu-me Noémia, Luísa, agora somos colegas! Fiquei um pouco intimidada na altura...chamar pelo nome uma professora...mas lá me fui habituando. Fomos inclusivamente algumas vezes ao cinema juntas.
Depois com o fim do curso a vida separou-nos. Alegra-me saber que apesar da curta vida que viveu foi em pleno.
Até sempre Noémia
Luísa Pinheiro Rufino

7 comentários:

Isabel X disse...

Mal eu sabia quando, há pouco mais de um ano, escrevi para este blogue um texto sobre o Ramalho Ortigão e a Dra. Noémia, nossa professora de História, que ela viria a falecer passado tão pouco tempo.

Pelo testemunho tão belo e sentido que aqui podemos ler, ficamos a saber que a Dra. Noémia teve uma vida curta mas muito preenchida e rica.

Esta é a melhor homenagem que podemos prestar à sua memória: lembrá-la através destas palavras tão amigas e juntarmo-nos ao minuto de silêncio que nos é proposto.

- Isabel Xavier -

Pereira da Silva disse...

Eis uma notícia triste.
É uma pena que só perante a evidência da partida consigamos reconhecer a importância que algumas pessoas acabaram por ter nas nossas vidas. O que é uma espécie de fazer tricot ao contrário...da trama tecida para a descoberta do fio com que se teceu.
A Drª Noémia foi minha professora de História e um dos sopros frescos que se sentiram no ERO naqueles anos.
O seu ensino era substancialmente diferente do ensino tradicional da História, como o que praticava a Drª Deolinda, por exemplo.
À História, meio oficial e feita de verdades certas, do compêndio a Drª Noémia acrescentava sempre a hipótese de haver uma ou várias perspectivas e explicações diferentes.
Lembro-me disso a propósito da sua abordagem dos Descobrimentos....porque ao compêndio ela acrescentou Baquero Moreno e Jaime Cortesão dando-me, pelo menos a mim, essa noção de que a escrita da História é sempre o registo duma determinada interpretação dos factos provados.
E se isso hoje é do senso comum, naquele tempo fazia toda a diferença.
Saber, hoje, pelo testemunho prestado da grandeza da sua alma deixa-me mais feliz. É bom saber ter sido "tocado" por alguém assim.
Paz à sua alma

Pereira da Silva

J J disse...

Lembro-me vagamente da Dr.ª. Noémia no meu último ano no ERO, em 1971, mas conheci-a bem no ano seguinte, em que já estava em Lisboa. Primeiro porque a sua casa era um local de convívio em que se conversava e discutia livremente, se jogavam cartas e se ouvia música, depois porque no seguimento desse convívio acabei por me envolver na organização de um baile no Carnaval de 1972 no seu apartamento, que ficava no início da R. da Alegria, mesmo a seguir à Ponte.

O baile foi um sucesso e reuniu várias gerações de alunos, muitos de nós, rapazes, já estávamos a estudar em Lisboa mas as raparigas eram quase todas suas alunas. Foi a única vez que fui a um baile de Carnaval em casa de um professor do Colégio, era essa a diferença que queria referir em relação à Dr.ª Noémia.

Não guardo uma recordação de alguém tão conservador como o António descreve no seu post, talvez por a termos conhecido em circunstâncias e momentos diversos. Mas partilhamos a imagem de alguém curioso e aberto à vida, ao conhecimento e aos outros. Lembro-me que ela ansiava por conhecer o Mundo, fico satisfeito por saber que o conseguiu.

É a segunda vez que o António colabora com o Blog, enriquecendo-o com a sua forma muito rigorosa e característica de redigir e também de encarar as pessoas e a vida. Espero que continue, claro.

PLB disse...

Foi com tristeza que li a notícia do desaparecimento da Dra.Noémia, o António José deixou-nos aqui o quadro de uma viajante que teria certamente muitas e interessantes coisas para contar. A Dra. Noémia foi minha professora no 5º ano e sucedeu ao Dr. Garcia Domingues, na altura achei que lhe faltava a experiência de uma vida que o professor anterior mostrara mas isso era inteiramente justificado pela sua juventude de então, certamente que depois da uma vida de viajante como a que nos foi relatada teria muito para contar, talvez o António José possa um dia destes partilhar alguma dessas histórias aqui no Blog.
Até sempre Dra. Noémia,
Pedro Bandeira

Anónimo disse...

Faço minhas as palavras do Zequinha Pereira da Silva.
Foi realmente uma lufada de ar fresco no ERO.
Foi graças a ela que aprendi alguma coisa de Filosofia, que ainda hoje recordo.
A Historia, que em muito se cruzava com o estudo da Filosofia, era abordada por ela de uma forma muito interessante.
Foi com grande pesar que soube através do Antonio Jose do seu desaparecimento.
Que descanse em paz!
Anabela Castro

Antonio Jose disse...

A sua campa merece todas as nossas flores, dos seus alunos do ERO, no silêncio contemplativo do florescer e apagar desses breves momentos a que chamamos vida.
A escrita poética do António José devolve-nos um retrato vivo da professora de história, abraçando intensamente o tempo e espaço, perseguindo em lugares fantásticos a história e "estorias" deste mundo, no qual nunca estamos separados graças ao blogue do ERO.

António José Neto

Luísa Pinheiro disse...

Fiquei perfeitamente em choque quando por aqui soube da morte da Dra. Noémia, nossa querida professora de História. Ela e a Dra. Júlia de Português foram para mim as professoras mais fantásticas que tive. Uma "lufada" de ar fresco no ensino a que estávamos habituados.
Eu segui História e um dia quando a encontrei na Faculdade ( ela estava a terminar o curso) tratei-a como sempre por Dra. Noémia, ela respondeu-me Noémia, Luísa, agora somos colegas! Fiquei um pouco intimidada na altura...chamar pelo nome uma professora...mas lá me fui habituando. Fomos inclusivamente algumas vezes ao cinema juntas.
Depois com o fim do curso a vida separou-nos. Alegra-me saber que apesar da curta vida que viveu foi em pleno.
Até sempre Noémia
Luísa Pinheiro Rufino