ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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DIÁRIO Etty Hillesum

Este é um texto enviado pela Isabel Xavier como comentário a
O registo deste texto é outro. Compromete-nos com o que é dito, interpela-nos na nossa humanidade. A sinceridade e a autenticidade do testemunho da São trazem a este blogue um raro momento de reflexão. Há livros construtores da nossa personalidade. É o caso do Diário de Anne Frank. Tanto quem escreveu o livro como quem o analisa (salvas as devidas proporções e as diferentes circunstâncias),neste caso, partem das suas experiências, das suas vivências pessoais para escreverem palavras que, por isso mesmo, são a própria vida.
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Curiosamente, há outro Diário, de outra judia, neste caso adulta, real também, passado em Amesterdão, que eu muito gostaria de aconselhar à São e aos outros amigos deste blogue. Trata-se de Etty Hillesum, que "escolhe" morrer em Auschwitz em vez de solitariamente se "livrar" desse destino, aproveitando a oportunidade que lhe surgiu de sobreviver no estrangeiro. Os dois últimos anos de vida, enquanto o cerco se aperta em seu redor (as humilhações, intercaladas por situações de grande elevação humana são constantes), constituem em si mesmos o testemunho de uma espiritualidade intensa, física, quase insuportável, e que só a morte poderia redimir. Como se vivesse uma oitava (ou muitas) acima do comum dos mortais.
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É um livro publicado pela Assírio e Alvim, na Colecção Teofanias (também estão publicadas as Cartas). No prefácio diz-nos o poeta Tolentino Mendonça, responsável por esta colecção: "No meio da tortura absoluta, é ela quem se preocupa com Deus. 'Vou ajudar-te, Deus, a não me abandonares', escreve. (...) Mas o traço mais forte é o de uma impressionante e inexplicável confiança: 'Quando ontem, às duas da manhã, finalmente cheguei lá acima ao quarto da Dicky e me ajoelhei quase nua, no meio do quarto, totalmente deprimida, eu disse de repente: 'Hoje, vendo bem, vivi coisas grandiosas e esta noite também, meu Deus, agradeço-te por eu poder suportar tudo e por haver poucas coisas que não ponhas no meu caminho.'"
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Como a vida é interessante! Conhecemo-nos em jovens, eu e a São, mal nos conhecendo então, embora nos víssemos quase todos os dias durante vários anos. E este testemunho sobre Anne Frank, tão belo, irmanou-nos, agora, sinto-o, como não era possível nesse tempo! Estou-te grata por isso, São!
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- Isabel Xavier -
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C O M E N T Á R I O S
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São Cx disse:
Tens razão Isabel em aconselhar o diário de Etty Hillesum, com o titulo Holandês "Het verstoorde leven" - Vida perturbada (tradução minha).
É certamente um diário diferente do de Anne Frank. Etty escreve sobre as vivências do dia a dia, mas escreve também sobre o desenvolvimento da procura da sua identidade e da força espiritual necessária para resistir às horríveis experiências que o sistema Nazi lhe impunha. A sua decisão consciente de não querer escapar ao destino é, na minha opinião, para além de uma escolha altruísta de apoiar os que não tinham outra opção, um teste de resistência que a si própria impõe e simultaneamente uma tentativa de descoberta, nomeadamente da resposta para um dilema que continua actual, o de como, e de que forma eficaz, se pode oferecer resistência ao mal e ao ódio. É um livro intenso e comovente, do qual a Isabel faz uma excelente introdução!
E...lembro-me bem de ti Isabel, com o teu ar sério e recatado, alta e de belos cabelos longos! Tem sido um prazer ter-te vindo a conhecer, através dos sempre interessantes comentários que tanto enriquecem este blog, como agora mais uma vez demonstraste!
São Caixinha
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Maria Fatima disse...
Um livro que "apaixonou" a minha filha este ano lectivo, por ela escolhido. Comoveu-me bastante, em minha opinião superior ao filme "O Rapaz do pijama às riscas" M.Fátima
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João Ramos Franco disse...
Como nos diz Isabel Xavier este livro, “interpela-nos na nossa humanidade”, perante quem o leu e transcreve e analisa, não encontro da minha parte, que não li a obra em questão, razão para um comentário, apenas digo que gosto da analise que é feita e vou ler o livro. O sempre amigoJoão Ramos Franco
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António disse...
Não conhecia este Diário,apenas o de Anne Frank.
Depois de ver os resultados assustadores obtidos pelos partidos de extrema-direita europeus no passado dia 7 é bom recordar aquilo que eles defendem.
Não conhecendo o livro só posso acrescentar que as palavras da Isabel Vaxier me deram vontade de o comprar e ler.
Foi boa ideia fazer esta série de posts.A

3 comentários:

Maria Fatima disse...

Um livro que "apaixonou " a minha filha este ano lectivo, por ela escolhido.Comoveu-me bastante, em minha opinião superior ao filme "O Rapaz do pijama às riscas"

M.Fátima

João Ramos Franco disse...

Como nos diz Isabel Xavier este livro, “interpela-nos na nossa humanidade”, perante quem o leu e transcreve e analisa, não encontro da minha parte, que não li a obra em questão, razão para um comentário, apenas digo que gosto da analise que é feita e vou ler o livro.
O sempre amigo
João Ramos Franco

António disse...

Não conhecia este Diário,apenas o de Anne Frank.Depois de ver os resultados assustadores obtidos pelos partidos de extrema-direita europeus no passado dia 7 é bom recordar aquilo que eles defendem.
Não conhecendo o livro só posso acrescentar que as palavras da Isabel Vaxier me deram vontade de o comprar e ler.Foi boa ideia fazer esta série de posts.A