ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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DON CAMILO E O SEU PEQUENO MUNDO


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Com os meus 15 anos de idade a sensação imediata foi a de rir daquilo que estava a ver, um padre a conversar com o crucifixo sobre os problemas que causava à igreja o regime comunista implantado na aldeia. O dirigente comunista local é amigo de Don Camilo e religioso, mas não o quer mostrar perante o partido.


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Peripécias como a procissão dos Senhor dos Passos, que os comunistas não querem que se faça e Dom Camilo, sozinho, com a cruz às costas, resolve fazer; a certo passo um piquete comunista tenta pará-lo, e ele diz para Cristo, segurando a cruz como um aríete: segurai-vos Senhor que desta vez dou cabo deles…


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O baptismo do filho de Pepone, às escondidas do partido e o aproveitamento de Dom Camilo para cedências à Igreja e muito mais cenas deste filme que seria fastidioso aqui recordar.

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Fruto de uma educação conservadora, como quase toda a minha geração, tive o privilégio de rir "a bandeiras despregadas" com este filme, as aventuras e desventuras do pároco, o Don Camilo, de aldeia e do dirigente comunista local, o D. Peppone, na Itália do pós-guerra.
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Escolho este filme porque, três anos depois, dei comigo a pensar no que tinha visto nele e ainda hoje sinto a realidade a que me transportou na minha juventude.


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João Ramos Franco



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C O M E N T Á R I O S
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vitor b disse...
Podiam-se aproveitar estes posts para dar mais informação sobre os filmes e s actores.Curiosamente não me lembro nada deste filme embora me lembre bem do Fernandel.
Li as histórias do Dom Camilo numa edição brasileira,da autoria de Giovanni Guareschi(fui agora confirmar o nome)que existia em casa dos meus avós e que era muito divertido.Estes filmes em que se falava do partido comunista italiano passaram em Portugal na década de 50?
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João Jales disse:
As histórias de Don Camilo, com argumento de um italiano chamado Giovannino Guareshi, foram interpretadas pelo cómico francês Fernandel e pelo actor italiano Gino Cervi. Começaram a ser rodadas em 1951, sob a direcção do francês Julien Duvivier.
Tinham como cenário real o município de Busseto, a 20 Km de Parma, e giravam à volta dos conflitos entre o Pároco e o Presidente da Câmara (comunista). Ainda hoje a pequena povoação de 5000 habitantes tem o museu Don Camilo, o restaurante Don Camilo, o Bar Don Camilo, o Hotel Don Camilo, quase todos na praça central da vila, entre a igreja de Santa Maria e a Câmara Municipal.
Milhares de turistas visitam ainda hoje o museu com adereços, filmes, cartazes, máquinas de filmar e projectar, revistas, comentários e notícias de jornais referentes aos filmes. Do lado de fora resta ainda um comboio, um tanque de guerra e utensílios agrícolas utilizados nas rodagens. No interior da igreja continua hoje a imagem do Cristo com que falava Fernandel. Quem quiser saber mais pode ir ao IMDb.
Obrigado João por esta bem disposta colaboração nesta série. JJ
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Isabel X disse...
Pelo modo como o João Ramos Franco nos descreve este filme, muito gostava eu de o ter visto! Qualquer dia temos que combinar umas sessões cinéfilas!
A natureza humana é mesmo assim: quantos equívocos políticos e religiosos, agravados pelo facto de a acção decorrer num meio pequeno! Muito vívido e hilariante! Obrigada.
- Isabel Xavier -

4 comentários:

vitor b disse...

Podiam-se aproveitar estes posts para dar mais informação sobre os filmes e s actores.Curiosamente não me lembro nada deste filme embora me lembre bem do Fernandel.
Li as histórias do Dom Camilo numa edição brasileira,da autoria de Giovanni Guareschi(fui agora confirmar o nome)que existia em casa dos meus avós e que era muito divertido.
Estes filmes em que se falava do partido comunista italiano passaram em Portugal na década de 50?

Isabel X disse...

Pelo modo como o João Ramos Franco nos descreve este filme, muito gostava eu de o ter visto! Qualquer dia temos que combinar umas sessões cinéfilas!
A natureza humana é mesmo assim: quantos equívocos políticos e religiosos, agravados pelo facto de a acção decorrer num meio pequeno! Muito vívido e hilariante! Obrigada.
- Isabel Xavier -

JJ disse...

Os textos da São, à medida que ela vai "desenferrujando" o seu português, têm vindo a ser cada vez mais conseguidos. Esta mistura de duas adolescentes, de épocas diferentes, em que o que uma escreveu se cruza com o que a outra sentiu, torna ainda mais intolerável o destino de Anne Frank, já que ela era alguém como a nossa amiga São e não um personagem trágico de um livro obscuro.
Gostei muito e a divulgação deste texto na Net, fora deste Blog, mostra que não fui o único. JJ

J. L. Reboleira Alexandre disse...

Este texto da São merecia mais que um rápido comentário, mas infelizmente o tempo não dá para mais. Só quem desde 1976 (creio ter lido isso) está sem usar a lingua de Camões no seu dia a dia sabe o que isso implica. A história todos a conhecemos, as caricaturas também. Pelo magnífico texto, bravo «miúda». Já avó mas não faz mal.