ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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SUBINDO À JANELA

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C O M E N T Á R I O S :
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Maria Manuela Gama Vieira comentou a foto:
Parabéns.Uma fotografia muito sugestiva, gostei imenso! :-)

JJ disse:
O seu a seu dono, a excelente fotografia é do Padre Xico. Desde que a vi pensei publcá-la isoladamente e não apenas acrescentá-la aos álbuns.
Queremos agora identificar os protagonistas desta aventura, julgo reconhecer o João Miguel mas mais ninguém…. Aguardemos.

J M Azevedo Santos disse:
Tenho dificuldade em reconhecer-me neste cenário. Nem me lembro da aventura, nem do local ...
A figura que está no centro da janela recorda-me o Carlos Orlando Castro e Sousa Rodrigues (licenciado em história, Professor de infantes e morador em Óbidos). mas tinha ideia de o ter «apanhado» no colégio mais tarde.
Não faço ideia de quem seja o acrobata. nem o terceiro ocupante da janela.
Abraço
JMiguel
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À JANELA DA D. CLARISSE

Fotos de Paula Nascimento
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Esta é a fotografia da turma da D. Clarisse no dia 28 de Junho de 1972, à janela da sua sala de aulas .
Quem são estas meninas e estes meninos ? Que é feito deles ? São leitores do Blog ?

Esta é a turma que iniciou a 1º classe em 1968/1969.

Pedro Vaz Pato, João Carlos Marques, Luis Correia, Jorge Humberto Arroja, Paulo Tuna, Miguel Crespo, Outro Tuna?, Olga Pinto, D. Clarisse, Margarida Feo e Torres, Ana Gama, Paula Nascimento, Helena (Nico) Gama, Isabel Ballu Loureiro, Isabel Canela Lopes, Teresa Paiva e Sousa, Sami Figueiredo Lopes
Adicionada por Paulo Caiado para o grupo EU GOZEI A MINHA ADOLESCÊNCIA NAS CALDAS DA RAINHA NOS ANOS 70 E 80

After school is over you're playing in the park /Don't be out too late, don't let it get too dark



Nesta foto:

João Carlos Marques, Miguel Crespo Caetano, Jorge Humberto Rosário Teixeira, Pedro Vaz Pato, D. Clarisse, Luis Correia, Manuel Tuna, Paulo Tuna






Isabel Canela Lopes , Teresa Paiva e Sousa, Pedro Vaz Pato, João Carlos Marques, Miguel Crespo Caetano, Paula Nascimento, Luis Correia, Jorge Humberto Rosári Teixeira, Ana Gama, D. Clarisse, Helena (Nico) Gama Homem de Barros, Manuel Tuna, Isabel Ballu Loureiro, Paulo Tuna, Olga Pinto, Margarida Feo e Torres, Sami Figueiredo Lopes

Paulo Caiado disse:

O Blog dos ex. Alunos do Externato Ramalho Ortigão constitui hoje o maior depositário das memórias da juventude caldense dos anos 50 a 70.

São testemunhos fantásticos de uma cidade em parte já desaparecida e de um tempo regido por outras realidades sociais, politicas e económicas.

Através de crónicas, descrição de pequenos episódios, poemas, citações e de pequenos comentários ,uma vezes mais humoristicos outras vezes mais emotivos e acompanhando-os por videos de músicas muito ilustrativos, é um retrato fiel de uma parte (a estudantil) da juventude caldense que nos precedeu.

No fundo os ex. Alunos do ERO são os nossos colegas mais velhos. Se todos estivéssemos agora no liceu eu diria que nós somos os caloiros e eles os finalistas.

Mas há muito que as crónicas postadas no blog extravasaram o seu âmbito, muitas das estórias aí contadas são contemporâneas ao Colégio mas não tiveram ligação com este e hoje em dia o blog dos ex. Alunos do Externato Ramalho Ortigão é um espelho da juventude caldense daquele tempo sem qualquer limite que o reporte exclusivamente ao tema Colégio.

Ali são descritos lugares, pessoas e acontecimentos iconográficos daqueles anos e surpreendente é verificar que a maioria desses locais e dessas pessoas foram também nossas contemporâneas e que os hábitos dos jovens também não sofreram muitas mutações. Constatamos assim que as Caldas pouco mudou durante todos esses anos e que de repente nos finais dos anos 90 tudo se alterou.

Pessoas e locais de referência desapareceram em poucos anos e as Caldas perdeu com isso muito da alma que tinha e que lhe dava uma identidade própria.

Infelizmente o pouco que começa a restar da identidade caldense enquanto diferenciada de qualquer outra localidade de provincia começam a ser estes espaços virtuais e as nossas memórias que contribuem para manter a mística caldense.

Paulo Caiado

C O M E N T Á R I O S

Isabel Ballu Loureiro Raimundo disse:
Ai que saudades... da minha inocência e alegria de viver...

José Mota
hehehe, o João Carlos, a Sami, Jorge Humberto de camisola verde, Isabel Balú Loureiro e claro a Paula Nascimento ... alguns não me lembro dos nomes.

diz o que te vai na alma disse...
estas fotos são uma delícia. Uma revisita ao passado cheia de emoções para os seus protagonistas. É incrível como se compararmos fotos dessa época parecemos todos iguais...apesar das diferenças existentes...Obrigado por partilharem momentos tão íntimos e creio que intensos nas vossas memórias.

Paulo Caiado disse...
Olá, eu conheço a maioria dos alunos. São do ano imediatamente anterior ao meu. Vou colocar no grupo do FB mas entretanto vou legendando os que me lembro.Paulo Caiado (Facebook)

Isabel disse...
É engraçado que conheço vários, até suponho que era a minha turma da quarta classe. Mas eu não estou....Isabel Canela Lopes (Facebook)

Ana disse...
Ai estão tão giros... mas a minha boa memória só identifica 4 meninas.
Ana Nascimento

Julinha disse...
Ana! Só 4 meninas!!Não posso crer...tu,a mulher que conheçe toda a gente! Eu conheço muito bem a professora,tinha 6 anos quando a conheci.....foi a minha professora de instrução primária em Óbidos.Júlia Ribeiro

Z C Faria disse...
Ò p'ra ela, a minha querida avó! ☝♥☺♫☼José Carlos Faria

Manuela disse...
Reconheço apenas a saudosa Professora,a Senhora D.Clarisse :-)
Maria Manuela Gama Vieira

UMA JANELA SOBRE O MAR

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Madrugada. A Nascente o Sol desponta e espreita timidamente por sobre os picos mais altos da Serra de Aire. No céu pequenos nimbos de nuvens sob um azul claro e vivo de luminosidade prenunciam uma manhã calma e amena. As águas da baía vão formando pequenas ondas a um ritmo certo, que vêm rebentar sobre o areal e nele espairecerem numa monotonia melódica neste despontar do dia e ouve-se imperceptivelmente o marejare o pipilar dos pássaros, ao longe, nas árvores do largo, como que dando alegremente bênçãos ao céu numa ininterrupta dança sem rumo e uma cantilena que, por serem aos milhares, quase se torna, quando ouvidos mais de perto, ensurdecedora.
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O cais dos pescadores, de embarque e desembarque para os barcos,pequenas chavascas a remos, feitas de madeira, pesados e de fundo chato com saliências para melhor equilíbrio e evitar o desgaste docasco quando arrastadas pela areia, vai-se compondo de vida e azáfama preparando-se para mais um dia de faina. Os pescadores caminham ao longo e para o fim do cais transportandoconsigo as canas de pesca, o balde e a sacola com os parcos mantimentos que irão digerir durante o dia em pleno mar alto e que, na maioria das vezes, não passa de um naco de pão cozido na véspera ou, antes disso, umas postas de peixe frito e azeitonas, bem como uma garrafinha de vinho tinto, ideal para amenizar os enjoos, aquecer as entranhas e alegrar um pouco a vida soturna e áspera que levam consigo, e uma garrafa de água para mitigar a sede.Os rostos sulcados por profundas rugas em pele dura e áspera ganhas não só pela idade mas, e principalmente, pelo bater da brisa ou venton orte e frio que corta com dor, juntamente com o sol abrasador que,e spelhado pela água do oceano, se intensifica, fere os olhos e seca o sal, não só do mar como também do suor. Roupas grossas - o que tapa o frio tapa o calor - retesadas pela água e pelo sol, cinzentas, como cinzenta é a vida deles, e que ferem ac arne do corpo devido ao roçar e ao suor. Na cabeça um chapéu de pala em pano, estilo francês, comprado numa qualquer feira de uma qualquer aldeia dos arredores que de tanto servirem para limpar o suor dorosto, pescoço e testa, adquiriu uma cor indefinida.Mãos calejadas, grossas e com feridas do passado recente que o tempo ajudou a sarar, unhas grossas e cinzentas sem corte definido mas desbastadas pelas grossas cordas de cânhamo da amarração das embarcações às poitas ou ferros de ancoragem. Caminham apressados pois não querem perder a maré e ei-los que embarcam e com vigorosas braçadas remam rumo á barra e ao mar aberto.
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O sol já desce para poente e de repente um bando de numerosas gaivotas, como que vindas do nada, esvoaçam por sobre as águas da baía. Voam em círculos com esporádicos pousos sobre a água e sobre o areal de um amarelo dourado e areias finas. A ondulação na baía tornou-se mais forte e as ondas mais altaneiras e barulhentas. A preia-mar está no seu auge e a água já beija a superfície do cais. Pela barra nota-se, no horizonte longínquo, a formação de nuvens negras que rapidamente caminham para terra. Vem aí borrasca e da grossa e elas, as gaivotas, são as primeiras a saberem e, por isso, recolhem a terra muito antes do homem sequer desconfiar desta mudança repentina da atmosfera. Os barcos vão entrando na baía já com alguma dificuldade para vencerem as ondas da barra.


.Os pescadores, um a um, põem os pés em terra e ali ficam a ver os outros chegarem. O alerta soa nas mentes de cada um. Falta o barco doti’Joaquim.

- Quem estava com ele? - perguntam uns para os outros.
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-Estavamo ti’Toino e ti’João e deviam estar com sorte pois notava-se o carrego do barco. Deviam estar a fazer uma bela pescaria.
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Alguns em passo apressado resolvem subir a escadaria que os leva ao farol e à capelinha e de lá avistam o barco do ti’Joaquim tentando uma aberta para entrar. São várias as tentativas e desistências e o mar de minuto a minuto mais se encrespava e no lago já as ondas se enrolavam e rebentavam. No cais as ondas já o varriam em todo o seu comprimento e vinham bater com força nos quebra mar que protegiam as casas. A água já entrava pelos quintais e invadia os jardins frontais. Espuma amarelada de barrenta ficava depositada na terra. Quem diria que numa manhã tão calma o dia se transformaria assim de um momento para o outro?
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Homens e mulheres, alheios ao perigo corriam para chegar aos Socorros a Náufragos na tentativa de ajudar fosse no que fosse. Ao largo o ti’Joaquim faz a derradeira tentativa para entrar na baía. Acontecesse o que acontecesse, ali não podiam ficar e aconteceu o pior, o mar parecia estar desejoso por saborear carne viva e palpitante de vida, medo, terror e ansiedade, atira-se encarniçadamente contra o bote, envolvendo-o, partindo-o em estilhaços, enrolando-o num abraço fatal atirando para a morte os seus ocupantes. Luta-se com todas as forças que o desespero dispensa aos homens na sua ânsia de viver mas os esforços são diminutos contra a atroz força das águas enraivecidas e leva-os para o fundo. O resto do barco acaba por embater com extremaviolência contra as rochas do penedo e ti’Joaquim, ti’Toino e ti’João não mais são vistos.
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Nesse resto de tarde, noite e seguintes dias, a praia é calcorreada pelas pessoas da aldeia, pescadores e outros, todos se solidarizam nas buscas e vigília, na esperança de que, pelo menos, o mar devolva os corpos para que se pudesse dar-lhes o eterno descanso. As mulheres choram um pranto sonoro com gritos de desesperança, lamentos, pragas, injúrias contra o mar que lhes tinha roubado os entes queridos e as tinha atirado para as incertezas do futuro com a falta daqueles que lhes punham o pão nosso de cada dia na mesa. Mas o mar, soberbo e altivo guarda-os só para ele e não os devolve.
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Hoje apenas são recordados e servem de alerta para os actuais espíritos mais aventureiros fazendo-os recuar nos seus intuitos de saírem a barra com condições de tempo adversas ou simplesmente incertas.
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Mas da minha janela também se vêem coisas lindas e outras deslumbrantes… principalmente no Verão.
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A.Justiça
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C O M E N T Á R I O S
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Isabel X disse...
Comovente este testemunho trazido pelo Justiça, bem como o modo como o conta neste texto. Lembro-me do Justiça, de quando éramos mais novos, de S. Martinho, mas nessa altura só o conhecia "de vista" (como se costuma dizer). Mais tarde vim a conhecê-lo como colega na Escola onde ainda lecciono e da qual o Justiça já se aposentou.
Mas, reconheço, não o conhecia... Não imaginei nele esta rara capacidade de descrição do sofrimento, com dignidade, com humanidade. Gosto de conhecê-lo deste modo novo.
O caso de vida que o Justiça aqui traz faz-me lembrar uma canção de Patxi Andion, belíssima, cheia de força, cujo nome não me ocorre, que fala de um "marino", a quem foram morrendo todos os companheiros da faina, e que se refugia na bebida. Termina a canção, referindo-se-lhe como "un marino", "un borracho com toda la mar detrás".
Muito grata!
- Isabel Xavier -
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Júlia disse...
Um texto muito bonito, mas triste, aquele que o Alfredo Justiça nos traz aqui. Descreve a vida árdua de homens que lutam pela sobrevivência,que se fazem ao mar....um mar, por vezes traiçoeiro, que vai acabando com a vida de muitos seres humanos.
Estes homens sofrem e lutam pelo sustento da mulher, dos filhos que aguardam pelo seu regresso,e é uma vida inteira assim.
É triste, por vezes! Quantos ti'Joaquins, ti'Toinos neste nosso País tão pequenino, partiram com a esperança de voltarem e por lá ficaram.
Obrigada, Alfredo Justiça.
Júlia R
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diz o que te vai na alma disse...
Outros tempos. As mesmas incertezas e angústias. Vidas difíceis que o tempo não apaga. Muito belo e triste.
Dalila Garcia
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Alfredo disse...
Isabel Xavier
O nome não me é totalmente estranho pois de algum modo está ligado a recordações instaladas no meu cérebro que o relacionam com S. Martinho e ao tempo de Escola nas Caldas embora, lamentavelmente para mim, não o consigo ligar com a sua fisionomia de então e, claro, muito menos com a de agora, passados mais de 45 anos. Isto tudo para que não fiquem personalidades trocadas sobre o Alfredo Justiça, eu, e o Justiça, seu colega professor da Proença, meu irmão, ligeiramente mais novo.
Agradeço-lhe as palavras simpáticas a propósito do texto que escrevi sobre o tema "das Janelas" e só a última parte do seu comentário me levou a escrever este esclarecimento para reposição da verdade. No entanto, ainda assim, atrevo-me a dizer, e desde já peço desculpa se assim não fôr, que este relacionamento do seu nome está também ligado á Isabel Veiga, Monserrate, Magda e outras meninas dos anos 60 e naturais, ou pelo menos residentes, em S. Martinho.
Uma vez mais, grato pela atenção que dispensou ao meu escrito e ao comentário que teve a amabilidade de lhe dispensar.
A. Justiça
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Isabel X disse...
Peço desculpa pela troca de "Justiças", altamente injusta aliás, que aqui fiz. Logo que vi que a Júlia se referia ao autor do texto chamando-lhe Alfredo, vi que me enganara.
Do Alfredo, a quem de facto se referem as minhas palavras, não me lembro. Mesmo o "outro" Justiça é mais velho do que eu. Lamento, mas as pessoas a quem me relaciona, Alfredo, são-me completamente estranhas. Nasci em Dezembro de 1957.
Desde que nasci, e até casar, em 1976, quando ainda tinha dezoito anos, fui sempre passar os verões a S. Martinho . (Já agora, divorciei-me aos trinta e seis, estado civil de que sou fervorosamente militante)
Sem desprimor para o próprio, não podia ser mesmo o "Justiça" que eu conhecia. Há aqui um travo feliz de verdade reposta e, por isso, de justiça reposta também.
Parabéns pelo seu texto, Alfredo Justiça. Gostava muito de o conhecer. Peço-lhe desculpa.
- Isabel Xavier -
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J L Reboleira Alexandre disse...
O Alfredo traz-nos, com uma sensibilidade que lhe é própria, mais uma bela narrativa da praia que foi a dele e de muitos de nós.
A minha atenção foi no entanto desviada para a segunda fotografia. Quantos momentos inesquecíveis passou o autor, passàmos todos nós, que frequentàvamos a baia, naquele local, há já tantos anos. Sobretudo no Verão!
Hoje em nome duma massificação do turismo, lá estão todos aqueles blocos de cimento, bem em frente à areia da praia, no género do que pior se faz em muitos outros locais da nossa costa e de outras costas afinal.
Obrigado meu caro.
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Maria João disse...
Boa tarde, Papá!Este texto é muito bonito! Apesar de "nascida e criada" em São Martinho, nunca vejo da minha janela estas histórias que no fundo marcam quem as Gentes são.Obrigada por esta visão :)
Beijos muito doces!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
MJ
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João Ramos Franco disse...
A janela de que olhamos traz-nos por vezes as realidades tristes, aquelas que existem mas que nós não gostamos de aceitar que façam parte do nosso arquivo… Para bem, ou mal, não as conseguimos apagar e elas perpetuam o nosso consciente.
Parabéns, A. Justiça, por este retrato da vida…
Um abraço amigo.
João Ramos Franco
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Guida C.S. disse...
A belíssima descrição do Alfredo sobre o drama dos pescadores levou-me a mim também a esse passado já tão longe, mas estranhamente as fotos insistem em me fazer regressar ao presente... a última vez que estive em S Martinho (e já foi há mais de 40 anos) as urbanizações ainda não estavam lá!
É mega surrealista estar a ver uma imagem completamente diferente da que temos na memória quando lemos uma estória que aí se encaixa perfeitamente!
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Joaquim disse...
Justiça, gosto das estórias que tu contas, tanto do tempo do serviço militar como a mostrar o teu mundo e como o vias.
Apesar de não ser de "São Martelo", nome dado pela malta dos anos 50s, quando havia uns trocados ia até lá na automotora e gostava de atravessar o túnel com os colegas (agora é perigoso), alguns de São Martinho e de Salir, e ver como alguns deles ganhavam uns "cobres" na faina de apanhar o limo, que segundo se dizia era para fins medicinais.
Talvez te encontre no almoço da Foz, que para mim continua a ser "a minha praia".
Joaquim
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Alfredo disse...
As janelas
Caros amigos e amigas de eterna juventude, que recordaram e nos transmitiram recordações de outrora e julgadas esquecidas, mas que afinal apenas estavam arquivadas e adormecidas nesta indecifrável, complexa e, por vezes, inexplicável memória que com extrema facilidade guardou lembranças de um passado já longínquo e por outras esquece as de ontem.
Li e reli, por diversas vezes, os posts e respectivos comentários sobre as janelas que o Vasco Trancoso nos “obrigou” a abrir com a sua “janela”.Vou ousar, e perdoem-me a ousadia, eleger o post que mais me impressionou e ao qual nem me atrevi a comentar pois entendi que quaisquer palavras seriam muito pobres perante a franqueza e verdades simples nele retratado.Todos os posts estão soberbos e, perdoem a imodéstia, o meu também pois retrata um acontecimento verídico do inicio dos anos 50 embora os nomes dos intervenientes sejam forjados porque ainda são vivos os descendentes directos da estória trágico-marítima contada e seria impensável trazer-lhes à memória tamanha tragédia.
O texto que mais me marcou foi o da São Caixinha. Humilde e modesto, sonhador e real, genuíno e puro, descrito com força e descritivo da simplicidade que o nosso mundo de então estava impregnado.Foi realmente a janela que, mesmo difícil de abrir, mais revelou a ternura e emoções sentidas na descoberta do espaço exterior pejado, bem sei, de agruras, e não da beleza pueril visto pelos olhos de uma criança, mas que gostaríamos que assim continuasse a ser por todo o nosso sempre.
Parabéns a todos. Foi um dos momentos mais altos e dignos do blog, repletos de ternura e de recordações de uma época, locais e vivências, demonstrativos de pertencermos à última geração de românticos (ousada esta afirmação? Talvez! Mas atendendo ao que nos rodeia…).
Abraços amistosos.
A.Justiça
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Tó Quim disse:
O maravilhoso texto de Justiça, ao mesmo tempo com pedaços de tristeza, faz com que a minha memória me traga à luz alguns momentos passados em São Martinho.
Nos pequenos momentos em que podia ir para São Martinho, sempre de comboio do Paul (Bombarral) ia para casa da minha tia que era, na altura a governanta da casa do sr. Engenheiro, que é hoje a casa de chá e o hotel situado na marginal.
Lembro-me de querer brincar com os “meninos” desta casa apalaçada e só podia ver. Eu pertencia ao povo e o povo não podia brincar com estes “meninos” Refira-se que tinham a mesma idade que eu.
Também me vem à memória a minha tia, juntamente com as criadas, levar o chá e uns bolinhos às senhoras que estavam nas barracas da praia.São momentos que nunca nos esqueceremos e que marcam o nosso saber para o resto da vida.
Agora, a fotografia do café do facho lembra-me já outros tempos, os finais de tarde com aquele poderoso pôr do sol...
Mais uma vez um grande abraço ao pai deste blog pela vontade de ele existir e a todos aqueles que o alimentam com grandes textos.
António Fialho Marcelino (Tó-Quim)

CAROCHINHAS À JANELA

por M Rosário Pimentel




- Novamente as tagarelas! -exclamava, em voz sonora, a Maria, que acabara de abrir a janela da casa da sua patroa, a fim de implicar com as "lourinhas", como costumava dizer quando se referia a nós. Afinal, que vinha ela fazer para a janela se não tinha brinquedos para mostrar? Tagarelar....
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Nesse dia, estávamos atarefadas a colocar as mobílias das nossas bonecas sobre os parapeitos das respectivas janelas. A seguir à secretária, estante e cadeirão do escritório, continuei a dispor a mesa da sala de jantar com as cadeiras ao redor, o aparador, lareira e candeeiro de pé alto, quando lançando o olhar para a janela oposta, me senti fascinada pela linda mobília de quarto e, para melhor a visualizar, coloquei-me em bicos de pés!...catrapus!
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Um automóvel parou bruscamente e o condutor saiu, apanhando, na estreita rua central dessa vila do Oeste, um par de cadeiras em madeira, por sinal pouco danificadas. Desci as escadas a correr, receando que o senhor batesse à porta, denunciando o que acabara de acontecer. Na véspera, ao ouvir o meu Pai regressar a casa, correra a contar-lhe as grandes novidades, mas ele disse que a Carochinha é que se põe à janela....
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Desde que a Balbina fora ao mercado, como era hábito, e regressara com os géneros alimentícios e as notícias frescas e, nesse dia, muito interessantes para mim, que eu não parara de bambear as cortinas das janelas, para grande arrelia da minha Mãe, a fim de observar a casa em frente.
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A Teresa, recém-chegada de Lisboa, não conheceria outras crianças e, sendo filha única teria que brincar sozinha, tal como eu! Mas os nossos Pais nunca se tinham encontrado e os adultos são muito complicados!
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- Dois tostões de rebuçados. - pedi a um dos empregados da mercearia da minha rua.Com a recomendação materna de não me demorar, saía apressadamente do estabelecimento quando reparei na Teresa à porta de sua casa ,na companhia da empregada. Impulsivamente, corri a oferecer-lhe alguns dos meus rebuçados. Ambas sorrimos e trocamos os nossos nomes.
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No dia seguinte, as nossas janelas abriram-se pela primeira vez. Aos cinco anos, não podia saber que seria o primeiro passo para a futura construção do maravilhoso pilar da AMIZADE.
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Maria do Rosário Pimentel
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C O M E N T Á R I O S
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São Caixinha disse.
Assistimos ao desenrolar de um emaranhado de enternecedores acontecimentos, que nos fazem regressar á essência de ser criança! E que gratificante reencontro!!
Encantadora a sua Janela, os meus parabéns Maria do Rosário!
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Infância
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Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia
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Carlos de Oliveira in "Cantata"
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São Caixinha
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Alfredo disse...
Enlevo.
É o que sinto ao ler esta descrição da “lourinha” apesar do súbito “catrapus” que me levou a ler mais depressa e em diagonal pensando que a “carochinha” tinha caído, mas afinal tinham caído apenas as cadeiras, obrigando-me a voltar atrás e recomeçar.
Até o pormenor da “galinha da minha vizinha é melhor que a minha” na descrição do fascínio sentido quando viu a mobília da amiga e a complicação dos adultos em entenderem o pensamento e desejos de uma criança.Os dois tostões de rebuçados comprados na mercearia fizeram-me recuar aos que outrora também comprava, na taberna da “gorda”… e que saborosos eram. Eram diferente nessa altura e nessa idade e não mais comi outros assim.
Sim… sem o sabermos na altura, muitas amizades começaram assim e perduram para o resto da vida sem que as janelas se fechem.
A.Justiça
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Filha disse...
Gostei muito, Mãe! Aqui está uma outra área por onde poderias enveredar... relatar as memórias passadas...
Nunca é tarde para nos descobrirmos a nós próprios. Espero um dia também o conseguir.
Continua.
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jorge disse...
delicioso.enternecedor.
é mesmo assim a infância e não é fácil um adulto retratá-la.
só não fiquei a saber onde é esta casa,tão tradicional.
parabéns.j
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Isabel disse:
Reza a história, bem velhinha,
que havia uma Carochinha,
que por ser engraçadinha,
teimou que haveria de casar.
Certo dia, quando estava a varrer a cozinha,
encontrou uma moeda de cinco réis
e correu para ir dizer à vizinha que já não tinha de esperar.
Felizmente,e apesar do acidente das cadeiras,esta nossa "carochinha" acabou a história em beleza,ou melhor,em amizade.
Muito bonita a casa e a fotografia.Onde é?
Bj. IS
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Artur disse...
As grandes histórias contam-se com palavras singelas, como é o caso desta carochinha revisitada e adaptada a uma situação de infância, simultaneamente distante e contígua...
Artur Henrique Ribeiro Gonçalves
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Cristina disse...
Que lindo edificio, bela arquitectura portuguesa e que mundo, história e vidas devem ter existido no seu interior!
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Júlia Ribeiro disse...
Que linda esta História da Carochina ! E assim se constrói uma AMIZADE...
Retratei-me aqui porque fui filha única até aos 8 anos. Umas férias conheci a Balia na Nazaré,tínhamos 6 anos e não mais nos vimos até ao dia em que nos reencontramos no mesmo local. Tinham passado 6 anos e a partir daí algo foi crescendo... uma Amizade muito forte, que se mantém .
Obrigada Maria do Rosário e Parabéns.
Um beijinho
Júlia R
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Manuela disse:
Admirável,a sensibilidade criativa das Carochinhas!Não se enfeitaram para ir para a janela, nem procuravam o joão ratão…mas uma "irmã".
O olhar ditou a empatia, os brinquedos a linguagem, as mobílias estateladas na rua despertaram o carinho de quem passava e os cinco“réis” concretizaram o doce sentimento da partilha. Que delicioso rebuçado!
As crianças são simples, não calculam os seus gestos, não têm artimanhas, buscam tesouros…intangíveis!
A Maria do Rosário leu-nos a história que ela própria e a Teresa umdia escreveram.Gostei muito de vos ouvir "tagarelar”....
As crianças não sabem ESCREVER histórias?
Manuela Gama Vieira

GATOS À JANELA (Guidó)

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Gatos à janela é coisa comum, mas nas Caldas para além dos verdadeiros de carne, de osso e pêlo ainda existem os de cerâmica.
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Num dos Museus, ou em casas particulares, ainda nalgumas lojas, encontramo-los contemplativos, descansados e às vezes até assanhados.
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À janela os felinos aquecem-se ao sol. Outros, já quentes do forno, de barro cozido, ficam imóveis, fitando o tempo que passa, eles próprios parados no tempo.

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Gata "Pili"
finais do séc. XIX,
Rafael Bordalo Pinheiro
ass. com o monograma do autor: RBP
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha
colecção particular
Gato
séc. XX
José Belo
Caldas da Rainha
colecção particular

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POST E FOTOGRAFIAS DE MARGARIDA ARAÚJO, PUBLICADO
EM SIMULTÂNEO COM O BLOGUE DA AUTORA : 100SentidosComSentidos


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C O M E N T Á R I O S
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Ana Braga disse:
Que belas imagens de gatos!
Seres altivos, enigmáticos, dominando a paisagem urbana, vigiando de longe o seu mundo de telhados e recantos que só eles conhecem, inacessíveis aos homens.
Os gatos: seres de múltiplas facetas, ora roçando, submissos, pelas pernas dos donos, repousando na mansidão da sesta a aquecer o colo de uma velhinha, ora envolvendo-se em aventuras nocturnas inconfessáveis, arrastados pelo cio ou atraídos pelo desafio de uma caçada impiedosa.
Os gatos da imagem perpetuam a calma inspiradora daqueles momentos, em que os gatos de carne e osso retemperam forças e, de tão imóveis, parecem irreais, feitos de loiça.
A.B.
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Joaquim disse...
Foi a partir da "janela da minha infância" que varias janelas se abriram, umas pequenas, outras maiores e até uma a cumprimentar a Lua em forma de "sky light", todas bonitas e que nos levaram a pensamentos escondidos na memória...foi bom.
Achei muita graça às janelas com os gatos, pois eu tinha uns vizinhos que tinham um rapazito pequeno, um gato que parecia maior que ele e um pequeno cão, que passavam grande parte do dia à janela. Como o meu passatempo é fazer quase nada, fui até à beira do lago apanhar umas pedras que existem em ambulância nesse lago "Lake Ontário", fiz algo parecido com uma janela e nela tentei pôr os três personagens que viviam na minha frente. Quando for às Caldas em Julho irei dar os meus cumprimentos ao J. Jales e dar-lhe os parabéns pelo seu "blog" (apenas uma pequena ideia, alguém que escreva algo sobre as "portas") pois elas abrem-se e fecham-se para tantos... e são de lá que se parte para o mundo...
Joaquim
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Guida disse...
ADORO GATOS. TENHO TRÊS. DOIS DELES ADORAM ESTAR À JANELA. O OUTRO GOSTA MAIS DE ANDAR PELOS TELHADOS E QUINTAIS DOS VIZINHOS.
Guida Santos
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Luisa disse...
Que belos gatos,que belo post fotográfico,gostei muito de partilhar a janela da Guidó.
Bej. Luisa
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SucoDaBarbatana disse...
Magníficas fotografias,como já está habituado quem conhece a Margarida Araújo.Gostei muito destes GATOS,que ficaram muito bem nesta JANELA.
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J J disse...
Este post é mais uma colaboração entre os nossos blogs. Colaboração que, felizmente, tem sido apenas no bom sentido, isto é as fotografias da Guidó no nosso Blog e não ao contrário...
Falando a sério, a Guidó faz parte das pessoas que têm tornado possível que o Blog do ERO continue a existir, participando em diversas ocasiões e das mais variadas formas na sua publicação.
O post de hoje tem duas expressivas e originais fotografias e uma reflexão felina.
Obrigado.
JJ
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Sergio Lopes no Facebook :
Estas fotos de facto enchem o olho.
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Isabel X disse...
A Guidó que me perdoe, até porque a considero uma fotógrafa admirável e os "Gatos à Janela" uma ideia muito criativa, como lhe é peculiar. Mas não posso deixar de referir que, ao vê-los, me lembrei daquela canção do Rouxinol Faduncho, "Cães de louça", que acho bem gira.
Neste caso seria mais "gatos de louça", mas lá que se devia fazer uma canção que lhes fosse dedicada, disso não haja dúvidas!
Beijinhos,
- Isabel Xavier -
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UMA JANELA NO TELHADO (Ana Braga)

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JJ


Tenho visto, lido e apreciado o blog através de todas aquelas belíssimas janelas. Lembrei-me que escrevi há anos uma coisinha dedicada à minha filha sobre uma janela nova que abrimos no seu quarto. Vou-te mandar se achares engraçado podes editar. É uma visão também de fora para dentro e por isso também diferente.Logo verás.
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Ana Braga





UMA JANELA NO TELHADO

Lá em cima, no teu quarto,
que durante longo tempo foi projecto,
Nasceu hoje, por milagre,
um pedaço de céu no meio do tecto!

De dia, a Sul, no pano azul intenso,
viaja o sol no seu trajecto.
Às vezes, num canto desse mar imenso,
surge um barco/nuvem tocado a vento, numa fuga.
Cúmulo-nimbo? Presságio de chuva?
Ou apenas, solitário, vogando,
em busca de aventura?

À noite, é deslumbrante contar estrelas,
conhecer impossíveis lugares, terras distantes.
Ou tentar ver no céu milhares de “velas”,
que iluminaram as rotas dos nossos navegantes.

Nos fins de tarde agrestes,
quando a chuva, teimosa, não pára de cair,
corre irritado o vento, perdido,
sem saber se deva ficar… se deva ir.
As árvores, ancoradas,
agitam ramos nus, num vão lamento
e os bichos sem abrigo, vêem na tempestade
o seu maior tormento.

É nessas horas más,
quando chora , triste, a natureza,
que a janela vai mostrar-te
os contrastes do mundo
e revelar-te os feios meandros da pobreza.

Nesse teu quarto/refúgio, rodeada de conforto,
não esqueças, minha filha, ao longo da tua vida,
que há outro mundo diferente,
de pobre gente sofrida.

Em certas noites, surgirá, também a Sul,
espreitando atrás do monte, uma visita especial,
a iluminar profusamente o horizonte.

Gentil e vagarosa estende o manto,
realçando o mais pequeno e triste canto.
Sempre risonha e bem disposta,
D. Lua Cheia virá em noite fria,
e, graças a ela, da escuridão se fará dia.

Será também dessa janela, que verás, piscando,
a luz dos grandes aviões, no seu vai-vem constante e ruidoso,
carregando no bojo vagas de ansiosas multidões.
E no jeito de sonhar que eu te conheço,
sentada na cama, bem segura,
voarás para longe do teu quarto,
viajando sem medo, como se a nave fosse firme
e estivesse presa a um penedo.

E agora, que mais dizer dessa janela,
fantástico rasgo aberto ao céu?
Só sei que no futuro irás mirar-te nela,
digo-te eu!
Mas não esqueças, que o vidro
é de ambos os lados transparente,
e se serve para olhar p’ra fora,
também servirá para alguém, de lá,
olhar p’rá gente.

Desejo apenas que por ela
os Anjos te possam ver melhor e conhecer,
Te ajudem sempre a ser feliz,
nessa aventura fascinante que é crescer.
Percebam quem é essa menina que habita cá na Terra,
por trás duma fantástica janela.

Será sensível, generosa, fiel, bela, inteligente?
Eles vão descobrir isso.
E algum...
ainda vai pedir para ser teu confidente.



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Ana Braga, Agosto de 2004
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C O M E N TÁ R I O S
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Maria B Pestana disse...
É sempre bom poder reler este poema da mãe, recordar o rasgo do telhado, o sótão que tanto desejámos, onde eu tanto queria viver! Hoje já não tenho o prazer de viver e conviver diariamente nesse refúgio, agora tenho uma janela maior, uma outra visão, menos bonita, mas realista. Tal como a mãe previa no poema.
Mas as memórias continuam apesar da janela onde cada um possa estar ser diferente, porque"Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive."
Obrigada mãe,
Maria B Pestana
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Alfredo disse...
Bonito poema da Ana transmitindo o enlevo que se devota a um filho desejado e que tudo fazemos para o ver feliz dando-lhe as necessárias asas para voar e sonhar mesmo que para isso nos sacrifiquemos e retiremos a nós próprios confortos que se tornam de somenos importância perante o seu bem estar e a felicidade estampada no rosto pueril. S
e mais tarde aproveitaram ou não o gesto, acção e esforço não importa, importa sim que pelo menos tentámos como pais libertá-los para a vida oferecendo-lhes tudo o que estava ao nosso alcance e o fizemos com amor.
Um abraço
A.Justiça
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O das Caldas disse...
Para mim seria inpensável não publicar esta UMA JANELA NO TELHADO. Parabéns e obrigada por este miminho delicioso.
Higino
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Isabel Esse disse...
Também é poeta a Ana,de quem eu já gostava tanto da prosa!Muito bonito este post,traduzindo bem a esperança que todos temos que todas as janelas se abram para e sobre os nossos filhos.
Bj.IS
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F. Clérigo disse...
Belo Poema o de Ana Braga...Lá está...o efeito multiplicador em nós...recordou-me de imediato um texto que também escrevi à minha filha, em estilo de prosa poética...não a propósito de uma janela, mas de uma parede do seu quarto pintada de verde alface...
Centrando-me no Poema da Ana (que não tenho o Gosto de conhecer), gostaria de relevar a Beleza do mesmo em Si, mas também a Belíssima Forma de Expressar a uma Filha, o Mais belo Sentir, o Amor Incondicional de Mãe e os devidos alertas para o nosso Mundo, que por vezes não se afigura aos nossos olhos, tão belo assim...
Uma bonita “Lição de Vida” carinhosamente transmitida pela Ana à Sua Filha, sem dúvida, um “Crédito” inequívoco na Aventura do Seu crescimento e nas Suas Capacidades como Jovem...parecendo-me um Apelo Também para Um Olhar, atento à valorização do seu conforto e Solidário para com os Outros que não têm o Privilégio de Viver desta forma “confortável” e “Bem Amada”...
Para finalizar, gostaria de dizer à Ana que logo que tive o privilégio de ler o seu 1º texto, Senti uma “Sintonia” com a sua escrita e com a Sua Pessoa...esperando que me perdoe a expressão invasiva “sintonia”...Lá está de novo...a Força do Sentir...
Muitos Parabéns por Tudo !!!
Fátima
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jorge disse...
não sou perito em poesia mas este é um belo poema em que estão todos os sonhos que temos para os nossos filhos.proporcionando-lhes horas boas mas preparando-os para as horas más - que enfrentarão sozinhos.muito bom!j

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Meus Sonhos disse...
Não é frequente a poesia nos artigos do nosso blogue e isso torna ainda mais notáveis aqueles em que é utilizada.
Muita ternura e muita emoção,muita autenticidade nestas palavras que falam mais da maternidade que da janela.Pelo menos fala mais das janelas da alma do que das que abrem para o ar exterior.
Gostei muito,muito.
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J J disse...
A Ana é uma autora de posts sempre muito pessoais, misturando uma grande sensibilidade e um arguto espírito de observação. Como normalmente só as mulheres sabem fazer, parecendo sonhar enquanto se mantém atenta aos outros. Já realcei esta sua qualidade, que transparece sempre nos seus excelentes comentários e é particularmente evidente aqui, a propósito de outras colaborações.
A abertura de janelas para os nossos filhos é uma gratificante (mas por vezes dolorosa) missão dos pais. É a Vida...
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VT disse...
Não resisto a comentar o poema da Ana Braga, que escreve muito bem, por aquilo que revela: O sentir que aquela janela, no futuro, seria mágica para a filha - é também um gesto não só predictivo mas em si próprio também mágico - para além da ternura, sensíbilidade e inteligência que respiram nas entrelinhas.
Uma lição em que a Beleza e a Poesia andam de mãos dadas (ainda por cima com a janela no telhado voltada para as estrelas...), mas que não deixa de ter o cuidado de alertar para os "contrastes" da Vida.
Parabéns e obrigado pela partilha de um momento muito bonito.
VT
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Ana Braga disse...
Não posso deixar de me sentir reconhecida pela forma tão simpática como acolheram o meu texto e o calor que conseguiram transmitir-me através das vossas palavras. É muito gratificante perceber que aquilo que escrevo, de forma sincera e despretensiosa, tem tido a força suficiente para chegar “à outra margem”.
Sempre gostei de me expressar, escrevendo - em alturas mais difíceis esse exercício teve até um efeito terapêutico - mas esta partilha, este desvendar de sentimentos, às vezes, como se de pequenos segredos se tratasse, só foi possível agora, por sentir que do outro lado havia alguém disposto a “ouvir-me” e a receber com empatia as minhaspalavras.
O meu primeiro contacto com o blog foi interessante: deparei-me, por mero acaso, com uma porta entreaberta e fui entrando, naturalmente,como se já vos conhecesse. A vossa recepção tem constituído um incentivo para mim.
Obrigada a todos, pelos belos textos com que vêm comentando o que escrevo.Assim, sinto-me mesmo tentada a aparecer de vez em quando.
Ana Braga
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OUTRA JANELA (São Caixinha)


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Com a bonita fotografia de uma invulgar janela vermelha e um aliciante texto sobre as suas vivências em criança, a uma outra janela, o Vasco incita-nos a um regresso ao passado e a um reencontro com as nossas próprias janelas! Esta é a minha.
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Eu tinha 5 anos quando deixámos Lisboa em direcção às Caldas da Rainha, onde o meu pai iria ser continuo e residente da Escola que simultâneamente ofereceria a minha educação. Como o edificio ainda se encontrava em construção foi-nos atribuida como residência temporária, uma casinha pequena e modesta nas redondezas da obra.
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Foi nela que encontrei a “janela da minha infância”! Era no sotão! Uma janela pequenina que se encontrava muito mais perto do chão do que qualquer janela que conhecia até ali, tão perto que de joelhos me podia debruçar sobre o seu parapeito. Esta atraente particularidade era, para a minha mãe, apenas um enorme motivo de preocupação, portanto preferia-a sempre fechada! Eu entendia que sabia avaliar e evitar os perigos inerentes e, confiante, abria-a em segredo, cautelosamente, sempre que podia. E era dificil de abrir, com os seus mecanismos enferrujados e a fragilidade oscilante dos caxilhos, ademais eu procurava a todo o custo evitar o ranger escraboso das suas dobradiças cansadas... A práctica, como frequentemente acontece, fez-me perita naquela operação delicada !
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A sedução da janela não se encontrava contudo no facto de ser convenientemente à minha medida nem certamente na simplicidade da vista que proporcionava, mas no contacto inédito que me permitia com a natureza! Era o ar fresco das manhãs do campo com o chilrear dos passáros e o ramalhar das árvores. Era o vento condutor de folhas secas, joaninhas e pirilampos (oh os pirilampos!!!). Era a fragância da terra molhada, das flores, das searas... carreiros de formigas!! Era a amplidão do céu com as suas nuvens passageiras ... e a chuva dos dias cinzentos ! A janela da minha infância iniciou-me na descoberta dos valores da natureza e descobriu em mim uma paixão, que mal suspeitava mas, sei entretanto, se irá prolongar até ao fim dos meus dias!
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Os meus parabéns ao Vasco pelo excelente post e os meus agradecimentos pelo mágico reencontro que ele provocou !
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São Caixinha
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C O M E N T Á R I O S
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Joaquim disse...
Para mim a janela da São Caixinha é a mais bela, pela sua humildade e modéstia e que mesmo fechada, enferrujada, aos poucos ela se foi abrindo e por vezes uma janela pequena traz-nos um mundo muito maior.
Joaquim
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Luis disse:
O relato de uma sonhadora,que olhava para o céu enquanto cheirava a terra.É uma atitude que por vezes origina uns tropeções...
São,estou a brincar,a tua janela é muito bonita e um dos bons posts desta série.Bem como a fotografia que adorei ver e que deve ter 50 anos.L
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Fernando Ribeiro disse...
Estas janelas da nossa infância vieram abrir uma janela enorme,vieram abrir a nossa memória adormecida e que despertou num clic.Formidável e que recordações nos vem trazer.Vamos continuar, que vos parece?Para a frente nao acham?
Bem hajam.
Fernando Ribeiro
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M Manuela Gama Vieira disse:
Que bonito "argumento" contém a Janela da São!Atrevo-me a dizer que o seu gosto pela Natureza e pelo Belo é inato em si,nasceu consigo.Por momentos associei a descrição da sua Janela ao sótão de Anne Frank, que mereceu aliás um excelente texto da sua autoria numa das séries do nosso Blog.
E como a sua Janela é tão genuína,tão pura,tão bela, é-me difícil encontrar mais palavras. Dou-lhe os meus sinceros Parabéns!
Manuela Gama Vieira
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Julinha disse:
Uma janela pequenina,quase junto ao chão.....com uma vista linda,o chilrear dos pássaros e a Natureza,tal com a São a viu e sentiu !
São,a maneira como descreves a tua janela toca-me profundamente...gostei muito !
Um beijinho
Júlia R
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Vasco Trancoso disse.
Fantástico! Dir-se-ia o milagre das janelas! Uma saudável epidemia que a todos contagiou.
Agradecendo a atenção de todos os que enviaram os comentários super-simpáticos não posso deixar de constatar também que se desencadeou um fenómeno de “reacção em cadeia” – atentos os números excepcionais, nunca recepcionados antes, de visitantes, em ambos os blogues. E foram comentários/janelas (originando outros “posts”) a chegar. E o mérito é todo das janelas (isto pode ser confirmado e analisado no quadro de estatísticas publicado no final desta página-JJ).
Há vários tipos de janelas na Vida e em cada pessoa, com significados/emoções diferentes mas de facto todos temos uma janela muito importante: aquela na infância (que mexe muito com a criança ainda em nós). E o que aconteceu foi cada um(a) abrir a sua própria janela e trazê-la para o blogue – que se transformou numa rua que ia crescendo à medida que se iam abrindo cada vez mais janelas.
Têm razão quando referem que o registo é mais “Amarcord” do que “8 e ½” – só que a música para os saltimbancos que “encaixava” perfeitamente era mesmo aquela do Nino Rota. Em resumo: os blogues estão muito bonitos com toda a gente à sua janela que dá, por sua vez, para as janelas dos outros – todas a abrirem-se para um largo comum, cada vez maior, onde se sente uma festa do “sentir”.
Bem hajam
VT
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M do Rosário Pimentel disse:
"Há males que vêm por bem". Confirma-se o ditado neste lindo e ternurento post. Naquela casinha, a menina teve a oportunidade precoce de descobrir a Beleza da Natureza, forçando,teimosamente,a abertura duma janelinha de sótão. Sem saber, estava a iniciar a descoberta de si própria.
Uma janela e um sótão - quanto fascínio e quanto mistério!
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F. Clérigo disse...
Muito Bonita a Janela da São...Muito Bonito igualmente o seu Texto, indubitavelmente Bem escrito, mas sobretudo o Cariz Sensitivo que lhe imprimiu...A Força da Descrição que a São nos revela, quase nos permite escutar os Sons da Natureza, o canto dos pássaros, o canto do vento, o restolhar das folhas, o brilho dos pirilampos, as diversas fragâncias da Natureza...Natureza Essa, ousaria dizer, que acompanhou a São e que ainda Hoje tem a mais Bonita Tradução no seu Blogue “Ambrosia”...senão cite-se o Seu próprio Sentir:
“A janela da minha infância iniciou-me na descoberta dos valores da natureza e descobriu em mim uma paixão, que mal suspeitava mas, sei entretanto, se irá prolongar até ao fim dos meus dias!”
Muitos Parabéns São pelo Belo Texto ! A Foto é Enternecedora!
Beijinho
Fátima
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OUTRAS JANELAS ( a propósito de À JANELA DA MINHA INFÂNCIA)

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Joaquim disse...
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Esta janela não é a bonita "window with a view" com que o Vasco Trancoso nos deliciou, esta é apenas uma das janelas das Caldas que nos abria as portas ao mundo português nos anos 40, 50 e talvez princípios de 1960. Na Praça 5 de Outubro (antiga praça do peixe), havia uma Escola Primária "masculina", no primeiro andar, com grandes janelas que nos permitiam uma grande visibilidade por toda essa praça.
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O nosso saudoso professor Rodrigues (3ª e 4ª classes) por vezes ia para as janelas mostrar-nos o mundo de então. Era ver o "Rei das Toalhas" e o "Orlando Quinquelheiro" com os seus pregões, o vendedor da Pomada Jibóia que vendia uma bisnaga não por 20 escudos, nem tão pouco por 10, por apenas 5 escudos e quem comprasse uma levava outra inteiramente de "borla".



As Marionetes, ou cabeças de pau, deliciavam-nos com o rapazote solteiro que ia ao barbeiro desfazer a barba pois iria casar e então aí começava a paulada : "com que então seu toleirão vai casar, vira a cara dum lado, vira a cara do outro", sempre com a navalha da barba que mais parecia uma "Moca". Depois lá aparecia o diabo, que era o protector das meninas solteiras, e a seguir era a tourada "Eh toiro, eh toiro" e acabava com o toiro a fugir à frente do toureiro, acompanhado pelas gargalhadas ingénuas da pequenada.



A pequena rua (perdi o nome) que liga a Praça 5 de Outubro à Heróis da Grande Guerra e que se cruza com a Rua das Vacarias, era talvez o sítio preferido dos vendedores ambulantes e dos cantadores da desgraça, que cantavam e diziam que a estória era tal e qual vinha no folheto.Por lá aparecia o homem que vendia "esticadores prós colarinhos", outros mais brincalhões vendiam "pentes para carecas e óculos pra cegos" e com o mesmo pente que dobravam diziam eles "é pró cabelo e pró cabelo e não arranha". Um outro vendedor que tinha como medida um corno de boi serrado vendia sementes em que apregoava "semente de nabo ou horto", cada cornada 5 tostões. Então lá aparecia o " vendedor de ilusões" - "quem quer a grande, anda hoje a roda, quem sabe lá, quem sabe lá".



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Foi naquelas janelas, mesmo em frente ao "nosso" Teatro Pinheiro Chagas que para muitos o mundo se abria com os filmes de 31 partes, 15 episódios, os grandes filmes de histórias romanas e os nossos Capas Negras e tantos outros...

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Era simples o nosso mundo, não era?...
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Joaquim
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a quem agradeço a autorização para as utilizar.
João B Serra disse:

As janelas povoaram a nossa infância na sua dupla função: proteger e franquear, esconder e desvelar, observar e expor-se. Se a infância é um tempo para descobrir e ser descoberto, a janela é também uma síntese desse tempo em que rasgamos cortinas em busca do mundo e nos surpreendemos com os lances de um mundo à nossa procura.
A metáfora da janela povoa por isso a imaginação plástica, como a aventura dos passos em volta: nenhum pintor, nenhum fotógrafo, escapou à magia sedutora de uma janela. A janela é uma fonte de luz ou um horizonte, um enquadramento ou um jogo de ângulos, um rasgão na noite ou um grito na solidão, uma transparência que oferece profundidade, uma superfície que reflecte e deforma, ou uma mancha opaca que nos interroga.
Para Vasco Trancoso a janela é uma memória de infância, onde se replicam outras janelas ­ dos sons, das cenas, das pessoas, dos objectos que o fascinaram. Para Vasco Trancoso, a infância foi a janela por onde espreitou o espírito curioso e emocionado de um ser insatisfeito e por onde entrou a cidade com os seus desafios cruéis e os seus encantos gloriosos.
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M do Rosário disse...
e esta é a Isabel e este o João.- dizia eu,enquanto acabava de preencher o parapeito da janela com as minhas bonecas.De imediato,tive que satisfazer a sua curiosidade.Expliquei que a mazela numa das bochechas desse bebé chorão se devia a um acidente com a chaminé de uma locomotiva,quando ao meu colo,tropecei no combóio do meu irmão.
Sendo filha única,ficou encantada por eu ter um irmão. Assim se iniciou a descoberta da vida de cada uma de nós,ambas de cinco anos,através dos respectivos brinquedos,expostos diariamente nas nossas janelas,sob o olhar divertido dos transeuntes. A menina desconhecida que viera de Lisboa,com seus pais,instalar-se na casa oposta à da minha família,viria,desde então,a percorrer, comigo ,sucessivos caminhos da vida,inclusive o do E.R.O... (Actualmente ,o João e a Isabel integram o acervo do Museu do Brinquedo ,em Sintra.Ambos exibem as vestes originais).
A"doce recordação" do despertar da Amizade,que aqui deixo,devo ao belo post de Vasco Trancoso.O meu reconhecimento e admiração.
Maria do Rosário Pimentel
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Ana Braga disse:

Gostei muito deste seu belo texto intimista, um regresso tão terno à infância, criado a partir da sua janela.
Obrigada pela fotografia, pelo que ela deixa ver e entrever. Obrigada pelas músicas e pela recordação de um filme que é para mim uma grata referência ao passado, trazendo consigo a visão inesquecível da fabulosa Giulietta Masina.
Penso (ou gosto de pensar), que todos os meninos tinham as suas janelas de onde olhavam/recriavam o mundo à sua volta.
A minha janela (nem sempre era a mesma) não era urbana, abria-se sobre um vasto cenário: a nascente limitado pelo lombo azulado de uma distante e imponente serra agreste e a poente por colinas e campos verdes, lugares onde me exercitava, quer a colocar as personagens dos meus contos preferidos quer a colocar-me a mim, na maioria das vezes, para além dos limites.
Será que os meninos de hoje ainda gostam de janelas?
Pode estar certo que o seu texto me abriu uma nova janela e me despertou para abri-la muitas vezes sobre o Heavenly.
Ana Braga
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Maria Manuela Gama Vieira disse:
Apesar do que as cortinas de renda resguardam dos olhos, a memória revisita e devolve, como que por encantamento, as mais admiráveis recordações que julgava esquecidas.
Ai que prazer! De repente, num exercício de regressão, a minha janela também se abriu, revi a magia dos baús empoeirados dos saltimbancos e escutei a flauta, prenunciadora de chuva, do amolador de tesouras.
Singular, a projecção de janelas, tão autêntica quanto as memórias reflectidas no espelho da imaginação, porque “uma vida não basta apenas ser vivida, também precisa de ser sonhada”…
Obrigada pela sua lindíssima janela vermelha que, por momentos, também foi minha.
Já lá vai tanto tempo e parece-me tão pouco!
Manuela Gama Vieira
Palavras de Vasco Trancoso no FB:
"João Ramos Franco esta história é à tua medida..."
- Como entendo as tuas palavras, meu amigo…Tens toda a razão quando nos dizes que “espreitávamos sinais do exterior à descoberta de um mundo novo.” No meu caso, na casa onde nasci, via o Chafariz em frente (inicio da estrada para a Foz do Arelho, no nº 7); nas traseiras do prédio, para lá do quintal, tinha a Misericórdia, o Hotel Lisbonense e uma pequena propriedade, que tinha uma Azenha que funcionava com as águas que vinham das Termas.
A Janela da minha infância era a cerca de 50 metros de Casa, tudo passava por uma visão, quase constante, da imensidão e da gente que passeava no Parque D. Carlos I. Foi por aqui que comecei a fixar as primeiras imagens de um universo que hoje povoa a minha mente e sinto que as da infância foram as mais belas e puras.
Um abraço amigo
João Ramos Franco
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Guida disse...
Uma cena extraordinariamente nítida a deste texto acompanhado pelo belo tema de Fellini. Faz-nos recuar no tempo. Muito belo, Vasco.Obrigada.
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Blow Up disse...
Há mais a ternura de Amarcord do que o surrealismo amargo de 8 e Meio neste exercício "cinematográfico".
Excelente evocação,com doses certas de realismo e emoção.Visitarei certamente o hevenly.Parabéns.
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Meus Sonhos disse...
Belissima fotografia,com reflexos que se vêem e outros que se adivinham,tal como no texto.O rendilhado das recordações confunde-se com o rendilhado das cortinas.
Quanto do que somos hoje é resultado dessas experiências e emoções de infância que mal recordamos ou pensamos mesmo não recordar?
Gostei muito.CC
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Laura Morgado
Uma descrição bonita e com muita clareza! As músicas muito bem escolhidas!
Laurinha
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Belão disse...
É impossível, ao ler este texto do Vasco, tão pleno de realismo, não darmos por nós a recordar o que víamos da nossa janela e como a nossa imaginação nos permitia embarcar em viagens únicas e tão características da infância.
Belo texto. Obrigada Vasco.
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Guida CS disse...
Esta janela do Vasco levou-me também a mim à minha infância e à minha janela, onde eu ficava parada até que a chuva passasse, à espera de poder voltar a ir brincar «lá fora» onde me esperavam os campos de malmequeres, os cucos, os pardais dos telhados e os charcos onde as rãs saltavam. Cada um de nós tem a sua janela. Parabéns ao Vasco por ter partilhado a sua com tanta clareza.
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Julinha disse:

Que paisagem bonita que o Vasco descreve na sua janela !Todos temos uma janela na nossa infância....eu também tive a minha e quantas horas passava sentada a olhar o céu, a ver a estrada, a ver as flores, esperando que a chuva passasse, esperando uma amiga para conversar, brincar....brincar ás mães e filhas, professora e alunos..... sim,aquelas brincadeiras de infância que me preparariam para mais tarde ser a mulher que sou!
Obrigada Vasco, por, de uma maneira tão singela, me teres levado á década de 50.
Júlia R
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J J disse...
Mais um post com uma publicação conjunta do Heavenly e do Blog dos Antigos Alunos ERO.
Recordações mágicas da infância de todos nós num post que casa uma fotografia bela, mas complexa, com um texto que é também ambas as coisas, onde está mais do que o somatório das palavras que o compôem, como é habitual com o nosso amigo VT.
Esperamos que esta colaboração, que tão bons resultados tem tido, possa continuar.
Abraço. JJ
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Luisa disse:

Muito bonita e muito terna toda esta evocação das memórias visuais da infância,todos tivemos a nossa janela para o Mundo.
Gostei muito da fotografia,como é habitual em todos os leitores do heavenly.
Esta colaboração parece-me muito positiva para os dois blogues e foi sem dúvida uma boa ideia.
Bjis. Luisa
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F. Clérigo disse...
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A Arte de Ser Feliz
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Houve um tempo em que a minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e o meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crianças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E
sinto-me completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

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Cecília Meireles
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Uma Sugestiva Janela, uma narrativa expressiva, onde a Imaginação e o Sonho “brincam” e “pulam” de mãos dadas, aos Olhos de uma criança... transpostos agora para um Olhar perscrutante, uma escrita cuidada, embalada ainda pela Música que outrora encenava o bailado de borboletas, em redor de um Coração...
Bonita conjugação para a “Arte de Ser Feliz”...
Parabéns ao Autor pelo Belo Post !

Bjs

Fátima
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Gostei imenso de "A janela da minha infância",veio mostrar a antiga escola onde andei da primeira à terceira classe .
Morei na pensao Mimosa e na altura o professor era o Sr. Pimentel; se alguém se lembra desse maravilhoso periodo e se lembrarem de mim colegas do nosso tempo contactem-me.
Obrigado, bem hajam.
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Frederico Maria Oom Moniz Galvão disse:
Por razões várias há bastante tempo que não vinha ao vosso blog (que será mesmo, eventualmente, o que mais me diverte e preenche de há algum tempo, apesar de não ter frequentado o ERO.)
No entanto os que conseguirem localizar-me na vossa memória, lembrar-se-ão que todos os anos da minha, nossa, juventude 4 ou 5 meses eram passados no calor da vossa companhia. Até há fotografias minhas com 5 anos para aì com algumas das minhas irmãs num piq-nic com o Padre António Emilio, no vosso blog!
Mas tudo isto serve para tentar, sem sucesso, disfarçar o choque da noticia da morte da Náni de quem já tinha tantas saudades, terrivel!! o que me faz sentir muito mal é o aperto da distância e da ausência se terem eternizado!
Um abraço para os que se lembrarem de mim e um enoooooooooorme beijo para a Náni onde quer que ela esteja. Sempre que estiver na Foz do Arelho estarei com ela : Que boa ideia, talves um dia peça para fazerem o mesmo comigo.
Frederico Maria Oom Moniz Galvão.
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Joaquim disse...
Ao Frederico Maria, posso dizer que o talho era o "Talho do Monteiro" e, a seguir, no sentido do Bairro da Ponte, era a "Loja do João Vintém", avô dos Madeira Lau: o João (já falecido),o António (meu colega de escola, que se formou em engenharia e se ficou por Lisboa), e o Chico (que continuou com a tradição de estabelecimento de "venda a retalho"). No sentido contrário era uma mercearia, a drogaria do Lopes, e o Teodoro das Caraças, famoso na época pois vendia tudo necessário para fins carnavalescos.
Olhando as saudosas fotos da Praça do Peixe (agradeço ao J.J.) e não só ... é de lamentar aqueles caixotes de linhas rectas que se ergueram por toda a cidade sem um pouco de harmonia.
Joaquim
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JJ disse:
Lembro-me bem do Frederico, sempre impecavelmente "fardado" para as suas tardes de ténis. Eu era bem mais novo, jogava no primeiro "court", enquanto ele já tinha direito ao "court" dos seniores onde jogavam os veteranos Henrique Mineiro e Calheiros Viegas mas também alguns "eleitos" como ele, o João Calheiros, o Néné...
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Só posso acompanhar o Joaquim no seu lamento pelos horríveis caixotes que a ignorância e o desleixo autárquicos deixaram que destruissem as nossas duas Praças.
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A ambos peço que me enviem os seus emails, gostaria de os contactar pessoalmente.