ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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COMENTÁRIOS A "O PROFESSOR DE GEOGRAFIA"

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Ana Luisa disse:

Olá João
Quando comecei a ler o texto, nem sequer me lembrava de que tínhamos tido um professor diferente para "substituir" na disciplina de Geografia.
A prosa está de tal forma bem escrita que o ambiente foi de imediato recriado na minha memória.A luz acendeu-se quando li a palavra Uagadugu.....
Parabéns João. Estás perdoado pelos "ai" que me fizeste soltar quando sentia o "meteorito" na cabeça.Eu estava lá...Continua nessa forma.
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José Carlos Faria disse:
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Notas dispersas sobre o "Professor de Geografia":
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1 - Belo texto!
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2 - Sobre as vantagens de uma postura não crispada na aprendizagem, já aqui escrevi (curiosamente sobre o Dr. Lopes e o ensino da Geografia). Vejam o filme «A Turma»; é extraordinário verificar como a sensibilidade pessoal dum professor pode influenciar tão fortemente a qualidade de ensino, mesmo com o sistema em colapso.
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3 - Uagadugu; Para quem ouve pela primeira vez, parece que fica no meio dos confins de nenhures! Já lá estive, na pista do aeroporto, durante uma hora, em escala técnica. Melhor é dizer que dei uma Volta por Alto, assim ao jeito do voo do pássaro. O que trouxe nos olhos foi a lembrança de uma única avenida asfaltada, com edifícios em betão de ambos os lados,. rodeados por uma imensidão, a perder de vista, de casas com tecto de zinco em ruas de areia.
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4 - Curiosa, a referência ao Steiner até porque coincide estar neste momento a trabalhar num espectáculo («Uma noite na Biblioteca» de Jean-Cristophe Bailly) onde «O Silêncio dos Livros», bem como textos do Barthes e Harold Bloom têm constituído recorrente material de trabalho dramatúrgico.
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5 - A Geografia é muito mais que saber o nome de capitais, rios e montanhas, diria o senhor de La Palisse, se para aí estivesse virado. Mas se pensarmos, por exemplo no Mediterrâneo e o estudarmos como uma realidade integrada e não dispersa, perceberemos bem depressa que estamos muito mais perto, cultural e sociologicamente, do que se imagina. Mesmo com três religiões sob o signo da Cruz, do Crescente e da Estrela de David....
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João B Serra disse:
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Olhando para trás, sob a inspiração da história tão bem evocada pelo João Jales, perscrutando a minha aprendizagem de Geografia, é uma espécie de buraco negro que encontro. Não vejo lá episódios, pontas soltas de emoções ou saberes, experiências pessoais que tivessem sobrevivido, fios condutores,mesmo que dispersos, muito menos luzes esclarecedoras, mas sim um imenso vazio. Dali só chega um fumo de tristeza. A incómoda impressão do tempo perdido. Da inutilidade de uma aprendizagem realizada sem imaginação, sem atracção, sem sentido. Sem vocação, sem gosto.
Foi a História, na Faculdade, que me mostrou o tremendo erro do ensino da Geografia no ERO, pondo a descoberto não apenas a minha formidável ignorância, como uma aversão à disciplina quase impossível de vencer. Mesmo ao lado, outros colegas frequentavam o Curso de Geografia. Muitas vezes me perguntei que espécie de masoquismo ou castigo os tinham conduzido até ali. De facto, se o ensino da Geografia era entregue no ERO ao acaso, penalizando o último professor a entrar ou aquele a quem faltavam tempos para acomodar o horário, que podíamos esperar?
Esta desvalorização científica e pedagógica da Geografia era um sinal: um sinal de um tempo fechado no seu próprio espaço povoado de mitos, que serecusava a ver, e sobretudo a viver, para lá das fronteiras do seu suposto "império pluricontinental". As consequências estão à vista: mais tarde,tivemos de aprender tudo à nossa custa e andar mais depressa, queimando etapas e vencendo as barreiras que nos tinham erguido. Porque a Europa e o Mundo não esperaram por nós e o preço que pagámos para tentar acertar a nossa geografia com a do resto foi elevado.
Evidentemente que houve excepções. Estudantes que venceram a aspereza dos muros e olharam para o outro lado, ajudados por ambientes familiares e sociais onde se respirava cosmopolitismo. Mas a geografia do Carvalhal Benfeito tinha por centro Caldas da Rainha e não Lisboa. Paris era uma terra para onde se emigrava para fugir à miséria e à tropa e não para ver a Torre Eiffel ou visitar o Louvre. Em suma, para mim, certamente para muitos de nós, as aulas de Geografia foram uma extraordinária oportunidade perdida.
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Júlia R disse:
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Recebi um email dizendo que este artigo aguardava comentários. Mas quem os aguarda? O Prof de Geografia ou o Autor do Artigo??? É que é diferente e estou na dúvida.....Se é o Prof de Geografia, não acredito que o Dr. Lopes esteja à espera de comentários, a não ser que lhe diga: coitado do senhor..... lá teve que estudar o Manual de Geografia, não lhe chegava aturar aquelas " pestes" nas disciplinas de Desenho e Matemática !! Estou mesmo a ver a cara dele com o sorriso que lhe é caracteristico.
Se é o Autor, já chega de dizer que mais uma vez me encantou com a sua maneira de escrever....consegui ler tudo até ao fim sem me cansar, para chegar à conclusão de quem seria o Professor de Geografia que em tão BOA HORA chegou para a aula de substituição...Quem diria que em 1967/68 já existia uma Maria de Lurdes Rodrigues !!! Júlia R
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António disse:

Ninguém falou ainda do Steiner que aparece citado no final do texto. Não estou bem certo de ele dar razão a esses métodos de ensinar Geografia do nosso amigo Figueiredo Lopes mas como ainda não li O SILÊNCIO DOS LIVROS, não posso dizer nada. Mas sinto-me mais concordante com o João Serra em relação à Geografia, até o Azevedo deu Geografia no Externato!!! Era quem calhava…. O Figueiredo Lopes era um Excelente professor mas de Matemática e Geometria Descritiva.
O Jales é também um Excelente escritor, coisa que eu desconhecia, mas que tenho vindo a apreciar no blogue. Repararam como só na última linha soubemos quem eram os professoress substituído e substituto? Tó
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Isabel X disse:
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O texto do Jales está muito bem escrito, como sempre. Não há dúvida que o marcou aquele método de ensino baseado na competição desenfreada mas, mesmo assim, com algumas regras: "não tirar olhos!"
Quanto a saber com o "coração" é fundamental, já o tenho defendido publicamente, a memória deve ser privilegiada, nomeadamente enquanto se é novo, senão é uma oportunidade perdida! Eu nem sequer me lembro de quem foram os meus professores de Geografia, mas também há professores de quem me lembro pelas piores razões, por isso, talvez não seja tão mau sinal para a disciplina como isso...
- Isabel Xavier -
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jorge disse:

estes métodos não eram bons nem maus,eram o que havia e eram eficazes para os objectivos.hoje dão-se mapas com todas as indicações para os meninos colorirem e explicam-se obscuras noções climatéricas com equações e tudo!depois perguntem a um menino do 12º ano onde é a palestina ou a venezuela e ele aponta para a austrália,como é que depois podem perceber as notícias?não são só os americanos, como mostra o célebre video no youtube que são ignorantes.mais um bom post do jj gostava de escrever com essa lógica e capacidade de exposição e descrição.o dr lopes era um dos melhores profs do ero mas nunca me deu geografia.jorge
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São Caixinha disse:
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Li com muito prazer a tua estória sobre a Geografia! Eu tive sempre o Dr. Lopes como professor e, por consequência, só boas recordações dessas aulas... apesar das "capitais dos países Africanos"!!! Bjs. São
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vitor b disse:

Este post é divertidissimo,com uma construção e um ritmo imbatíveis,l^e-se de um fôlego,como diz a Julia.Temos aqui novamente o JJ em grande forma!
Porque será que o dr.Lopes proporciona melhores memórias que o dr.Luis?
Apesar de bom professoe nem o dr.Lopes conseguia evitar que a geografia fosse uma seca!!!Parabéns,Vitor.
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“O Professor de Geografia”. Um ao acaso? Que bom retrato nos dás. Dos meus nesta disciplina, um deles foi o Dr. Azevedo, (pau para toda a obra, na secção de Ciências) quando faltava um professor lá entrava ele, porta da aula dentro…
A geografia decorada, palavra a palavra, como estava nos manuais, irritante, como tudo aquilo que éramos obrigados a decorar. Não era compreendida, como se não existissem causas para que as fronteiras dos países estarem desenhadas naquele local do mapa, isso não interessava manual é manual, (Livro Único) e o que lá está é para decorar porque sai no exame.
João Ramos Franco
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4 comentários:

Anónimo disse...

Ninguém falou ainda do Steiner que aparece citado no final do texto. Não estou bem certo de ele dar razão a esses métodos de ensinar Geografia do nosso amigo Figueiredo Lopes mas como ainda não li O SILÊNCIO DOS LIVROS, não posso dizer nada. Mas sinto-me mais concordante com o João Serra em relação à Geografia, até o Azevedo deu Geografia no Externato!!! Era quem calhava…. O Figueiredo Lopes era um Excelente professor mas de Matemática e Geometria Descritiva.
O Jales é também um Excelente escritor, coisa que eu desconhecia, mas que tenho vindo a apreciar no blogue. Repararam como só na última linha soubemos quem eram os professoress substituído e substituto? Tó

jorge disse...

estes métodos não eram bons nem maus,eram o que havia e eram eficazes para os objectivos.hoje dão-se mapas com todas as indicações para os meninos colorirem e explicam-se obscuras noções climatéricas com equações e tudo!depois perguntem a um menino do 12º ano onde é a palestina ou a venezuela e ele aponta para a austrália,como é que depois podem perceber as notícias?não são só os americanos, como mostra o célebre video no youtube que são ignorantes.mais um bom post do jj gostava de escrever com essa lógica e capacidade de exposição e descrição.o dr lopes era um dos melhores profs do ero mas nunca me deu geografia.jorge

João Ramos Franco disse...

“ O Professor de Geografia”. Um ao acaso? Que bom retrato nos dás. Dos meus nesta disciplina, um deles foi o Dr. Azevedo, (pau para toda a obra, na secção de Ciências) quando faltava um professor lá entrava ele, porta da aula dentro…
A geografia decorada, palavra a palavra, como estava nos manuais, irritante, como tudo aquilo que éramos obrigados a decorar. Não era compreendida, como se não existissem causas para que as fronteiras dos países estarem desenhadas naquele local do mapa, isso não interessava manual é manual, (Livro Único) e o que lá está é para decorar porque sai no exame.
João Ramos Franco

J. L. Reboleira Alexandre disse...

Não me lembro da Nani, como ela não se lembrará de mim - aluno da Escola versus aluna do ERO - (e além disso, pela foto, linda de mais, era o tipo de miúda que me metia medo naqueles tempos, antes de sair da rotina Chão da Parada, Caldas)apesar de devermos ser exactamente da mesma idade. No entanto ao ver que escrevia de Zurich e à nota maravilhosa que obteve em Latim, veio-me à ideia uma obra que devorei durante as últimas férias de Natal, escrita por um autor de Berna, Pascal Bernier, pseudónimo de Peter Bieri. «Train de nuit pour Lisbonne», tradução do original em Alemão que conta a mudança que o encontro fortuito com uma portuguesa de Berna operou em Gregorius, professor de linguas mortas numa Universidade Suissa.

Gostei menos de alguns erros ortográficos dos nomes portugueses, que demonstra uma certa falta de cuidado na correçção antes de ir para impressão. Mas a obra vale pelo seu todo e lê-se fácilmente.

Imagino que será fácil de encontrar em Zurich, já nas Caldas, não sei.