Mais um depoimento extra-ERO, de uma caldense adoptiva. Ou talvez ela prefira uma alfacinha com "dupla nacionalidade".
Apesar de ser uma alfacinha de gema, estava sempre desejosa de vir para casa dos meus avós nas Caldas. Portanto infância, adolescência e por aí fora, foram sempre muito Caldas.

Em pequena o café era, sobretudo, o “Capristanos”. Porta de entrada giratória, grandes espelhos e um ar muito moderno para uma estação de camionetas. Havia o Sr. Zé que nos servia à mesa e gostávamos muito um do outro (veio mais tarde a dar-me aulas de condução e ainda ontem o vi todo airoso). Também havia um senhor que eu achava que era um dos actores da série Bonanza.
Depois era mais Central, com a minha avó que achava a Zaira um “ninho de víboras”. Também Machado, muito Parque, Esplanada. Também Maratona, com amigos.

Apesar de frequentar com regularidade os cinemas de Lisboa, aqui também via algumas "fitas". 4 horas (acho) nas duras cadeiras no Salão Ibéria a ver "E tudo vento levou" (o Ibéria também), não dão para esquecer. Mais tarde lembro-me dos filmes do Tarzan e o "Joelho de Claire", que tem tudo a ver. No Pinheiro Chagas o que me recordo melhor é do "Oliver Twist", em que eu soluçava alto e bom som e o Henrique Sales (filho) tentava em vão acalmar-me. Ainda hoje nos rimos daquela cena.
Bailes: Casino, Lisbonense, Bombeiros, Ferro-Velho e muito, muito, Inferno da Azenha, nossa casa de aventuras, músicas, conversas e despertar político.
Neste último local fui feliz; eu e muitos outros.

Mas voltando um pouco atrás no tempo. A Azenha era para nós (Guida, Luís, Manel Barreto e Henrique, Zizi e Zé Sales Henriques – núcleo duro + primos e amigos)

É esta uma das vias das minhas amizades com os alunos do ERO, a Guida e o Luis andaram lá. Quem não se lembra dos jogos de mata junto à eira, Guida Rego, Nami, Paula Jales, Mena Gomes, Zé e Clara, faltam-me nomes, faltam-me nomes, e das descidas em carrinhos de rolamentos. Muito joelho esfolado, algumas cabeças partidas.Também me lembro do Pedro Freitas com uma bicicleta motorizada admirada por todos.
Fomos crescendo e o espaço do Inferno da Azenha

A par dos bailes que íamos fazendo, próprios da idade, havia este outro lado que penso que quem frequentava a Azenha se lembra.
Da dinâmica do espaço todos se lembrarão do baixar da cabeça na subida das escadas, gesto nem sempre bem sucedido. Com aquelas luzes baixas os galos eram constantes. E as músicas....
Do “Je t'aime... moi non plus” Jane Birkin e do Serge Gainsbourg, música mais esperada para os slows da época. Porque seria?
Os Beatles sempre presentes. Pink Floyd , Genesis, Rolling Stones, The Who, Janis Joplin, Bob Dylan, James Taylor, Bee Gees ( a esta altura o datómetro do João já está aos pulos porque eu não estou a seguir uma ordem cronológica, mas sim o que vem à cabeça).
Lá, do outro lado do Atlântico começava a chegar-nos uma das melhores músicas cantadas em português: Vinicius e Tom Jobim.
Muito mais haveria para dizer, mas já me alonguei nas memórias. Resta-me dizer que pelo Inferno da Azenha e pela Quinta de Stº António ainda continuo a ser feliz e nas Caldas da Rainha... olhem, também.
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Margarida Araújo
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